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Não é opção, é orientação

mãos dadasMuito se comenta que as novas gerações vêm experimentando relacionamentos sexuais com os dois sexos, para depois decidir (ou não) qual escolher.
Experimentar não é prerrogativas das novas gerações. Além disso, a orientação sexual de uma pessoa não é definida pela sua prática, mas pela atração. Portanto, relacionar-se com alguém do sexo oposto ou do mesmo sexo não significa a hetero ou a homossexualidade. Importa por quem nos sentimos atraídos sexualmente: se por pessoa(s) do sexo oposto ou do mesmo sexo, o que indica orientação hetero ou homossexualidade, respectivamente.

Vale esclarecer que ninguém se torna hetero, homo ou bisssexual por opção ou escolha. Um conjunto de influências de ordem bio-psico-sócio-culturais nos inclina para esta ou aquela orientação (que não é opção). A homossexualidade (assim como a heterossexualidade) consiste, portanto, de uma tendência, para a qual nos orientamos, movidos pela atração.

Durante muitas décadas, prevaleceram os estudos sobre a importância das influências psicológicas nesse comportamento. Atualmente, cada vez mais os pesquisadores acreditam que nascemos com uma predisposição genética para esta ou aquela preferência sexual, sobre a qual se somam elementos educacionais, sociais e psicológicos, moldando a hetero, a homo ou a bissexualidade, entre tantas outras características sexuais.

Pesquisas sugerem que alguns fatores, os quais vão determinar a orientação sexual, estão presentes desde cedo, mesmo antes do nascimento. Há cerca de vinte anos, os estudos apontavam para uma região do cromossomo X (locus xq28), a qual influenciaria a orientação sexual. Recentemente, um rastreamento do genoma humano retomou essa influência genética, ao localizar outras regiões com genes candidatos à predisposição para a homossexualidade, nos cromossomos 7,8 e 10.

Mais fatores biológicos são implicados na determinação da orientação sexual: a exposição a hormônios durante a vida intrauterina, o número de irmãos do sexo masculino que antecedem o seguinte (resultante em resistência materna aos androgênios), o uso de medicamentos que modificam os níveis de testosterona na circulação da gestante. Há evidências científicas de que esses níveis influenciam o desenvolvimento de determinadas áreas do cérebro, como o hipotálamo, parcialmente responsável pela atração sexual. Estudos com ressonância magnética funcional comprovam que o hipotálamo de homens homossexuais possui características mais similares ao de mulheres do que de homens heterossexuais.

Finalmente, a epigenética explica que um único gene não responde pela definição da orientação sexual, mas são os mecanismos de regulação de androgênios (hormônios masculinos) que favorecem ou impedem a expressão de genes associados ao desenvolvimento dessa orientação. Estes genes seriam, portanto, regulados por marcas epigenéticas, que fazem parte da variação normal, transmitindo-se a novas gerações.

Há pessoas que se tornam cronologicamente adultas sem chegar a uma definição de sua orientação sexual, o que depende também do amadurecimento afetivo-emocional. Contudo, ter algumas experiências com alguém do mesmo sexo, ao longo da vida, é totalmente diferente de ser um homossexual absoluto, conforme já argumento Kinsey, em meados do século XX. Quem não assistiu ao filme sobre este pesquisador, deve fazê-lo.

A diversidade sexual, como todas as outras, merece respeito e mais conhecimento. A discriminação velada é tão negativa quanto a explicita. E só debelada se, a partir da família, as diferenças forem conhecidas e respeitadas.

por Carmita Abdo

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29/08/2014 - Posted by | Sexo

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