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O Acidente de Santos Dumont em Paris

Santos DumontHoje faz 114 anos que Alberto Santos Dumont conquistou de uma vez por todas o coração dos parisienses. No dia 8 de agosto de 1901, o inventor brasileiro ganhou destaque em todos os jornais da França, sobretudo no “Le Petit Journal”, então o diário de maior circulação do mundo, com um milhão de exemplares. A notícia, porém, tinha muito mais de drama do que de engenhosidade. Naquele dia, tentando contornar a Torre Eiffel, Santos Dumont escapou da morte depois de colidir o seu balão dirigível contra um prédio no bairro de Passy.

Não era a primeira vez, nem seria a última. Desde que começara a desenvolver dirigíveis, Santos Dumont se envolveu em vários acidentes com maior ou menor gravidade. Três semanas antes da queda em Passy, fizera uma aterrissagem forçada com o mesmo dirigível Número 5 nos jardins de uma mansão em Paris. Enquanto estudava como resgatar o balão preso às árvores, recebeu dos empregados da propriedade uma cesta com algo para comer — um agrado enviado pela vizinha da mansão, a princesa Isabel.

Assustada, Isabel havia testemunhado a queda do aparelho, que passara sobre o seu palacete, e queria ter notícias do valente conterrâneo de quem tanto se falava. 

Uma semana depois daquele primeiro encontro, Santos Dumont recebeu uma medalhinha de São Bento, como presente da princesa:

“Ofereço-lha pensando na sua boa mãe, e pedindo a Deus que lhe socorra sempre e que lhe ajude a trabalhar pela glória de nossa Pátria”, dizia Isabel num bilhete, sempre muito beata.

Supersticioso, Santos Dumont pendurou a medalha numa pulseira fina de ouro, usando-a no pulso esquerdo. Nunca mais a tiraria do braço.

No dia 8 de agosto, no aeródromo de Saint-Cloud, ascendeu pela segunda vez em seu dirigível, sob os aplausos de 200 pessoas que se levantaram cedo para assistir a sua proeza. Precisava alcançar a Torre Eiffel, contorná-la e voltar ao ponto de partida em 30 minutos. 

Eram as regras do prêmio de 100 mil francos oferecido pelo Aeroclube da França. O dinheiro, porém, pouco lhe importava. Anos antes de construir o 14-Bis, Santos Dumont queria, obstinadamente, ser o primeiro homem a controlar um dirigível, navegando pelos ares como um navio pelos mares.

Ajudado pelo vento, cobriu os seis quilômetros do percurso de ida até a Torre Eiffel em apenas nove minutos. Contornou-a e, na volta, começaram os problemas.

Inexplicavelmente, o balão começou a murchar com a perda de hidrogênio. 

Sem a rigidez do envelope, um cabo de sustentação afrouxou-se, sendo destruído pela hélice do dirigível. Santos Dumont só tinha uma opção: a 200 metros de altura, desligou o motor, enterrou o chapéu na cabeça e se preparou para o que mais temia: empurrado pelo vento, o balão voltava para trás, entrando em rota de colisão com a Torre Eiffel. 

Lá embaixo, a multidão, aos gritos, acompanhava aterrorizada a queda do aparelho. 

De repente, o balão se chocou contra a quina de um telhado, explodindo como um gigantesco saco de papel. A quilha despencou, mas, presa pelo balão, ficou pendurada num ângulo de 45 graus entre a parede do edifício e o telhado de um restaurante vizinho. 

Salvo por São Bento, Santos Dumont permanecia amarrado ao cesto, imóvel, sem saber o que se romperia primeiro, os cabos ou a quilha, deixando-o cair de uma altura de 15 metros nos fundos do restaurante.

“Após uma espera que não me pareceu nada divertida”, lembra Santos Dumont em sua biografia, “chegou-me uma corda, lançada do telhado mais alto. Amarrei-me a ela, e fui içado. Constatei então que os meus salvadores eram os bravos bombeiros de Paris. Da sua estação de Passy haviam observado o meu voo; haviam visto minha queda e tinham acorrido. Após tirarem-me do embaraço, empregaram-se no salvamento do aparelho”.

De volta ao chão são e salvo, Santos Dumont foi recebido por milhares de pessoas que testemunharam sua coragem (e inacreditável sorte) no desastre. Beijou a medalha de São Bento, mostrando o pulso descoberto para a multidão. 

Ajudado por uma barreira de policiais, conseguiu afastar os curiosos para verificar se o motor do dirigível fora danificado. Nada. Funcionava perfeitamente. Perdera somente o balão. Mais tarde, pagaria, sem reclamar, 150 francos pelo conserto do telhado. Por hora, acendia um cigarro para se acalmar. 

Perguntado por um repórter se ainda tentaria ganhar o prêmio oferecido pelo aeroclube, Santos Dumont não hesitou: começaria, imediatamente, a construção de um novo dirigível – o Número 6, que entraria para a história da aviação, fazendo de Santos Dumont o brasileiro mais famoso do mundo.

09/08/2015 - Posted by | Lembranças do Dia

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