PrimeLife (Ano V)

Viva Bem, Viva Mais, Viva com Estilo

Como os franceses adquirem a cultura das degustações?

Morando em Paris há 9 anos, e proprietária de uma cave na capital francesa, sempre me perguntam a diferença entre o consumo de vinhos no Brasil e na França.

Em primeiro lugar, os franceses buscam o custo benefício, pois o vinho faz parte do dia a dia de todas as classes sociais. O consumo é uma rotina, seja em casa ou nos almoços de trabalho. O vinho aqui é democrático. Meus primeiros clientes do dia, quando abro a enoteca pela manha, são os operários que trabalham nas obras por perto. Compram uma garrafa de vinho, lá pelas 11h, pro almoço. Eles entram e me pedem um bom vinho por menos de 10 €.

Já nossos habitués, os clientes que compram 2 a 3 vezes por semana, chegam depois do trabalho, nos contam  o prato que  servirão no jantar, e pedem  o vinho que harmonizara melhor.

Uma tendência recente, os pedidos de vinhos naturais e orgânicos, os vinhos feitos por métodos de cultivos sem agrotóxicos e com um mínimo de adição de sulfitos.

No Brasil, o vinho continua elitizado, consome-se muito pelo rotulo, sem realmente compreender o que esta sendo servido.

No Brasil, as pessoas falam pouco de harmonização. Uma pena. Recentemente degustei, com amigos brasileiros, um Barca de 1966, um grande vinho português do Douro. O prato era um carpaccio de polvo. Cheguei a ter uma  fisgada no coração pela falta de sensibilidade para harmonizar. Aqui na Europa, em alguns estabelecimentos, o sommelier recusa servir uma bebida caso ela não harmonize com o prato. Eu já presenciei isso acontecer. Se antigamente achava exagero, hoje não acho mais. É, na verdade, um grande serviço que o “patrão” está fazendo ao seu cliente. Harmonização é casamento! Se você souber fazer, tudo fica em perfeita sintonia.  Tanto o prato quanto o vinho ganham em paladar e seu prazer agradece.

Vinho aqui na França, é coisa seria. Por exemplo, o que os monges fizeram com os climats, parcelas de terra delimitadas e que gozam de particulares condições geológicas e climáticas, da Borgonha, só existe alí. Só quem tem alma sensível e coração aberto, pode entender o que estou falando. Já chorei de emoção ao degustar alguns vinhos especiais.

A França reina hors concours em termos de qualidade, simplesmente porque os franceses têm um art de vivre e um paladar refinado e elegante. E isso vem desde o berço. Veja bem, meus filhos já desfrutam na creche de um menu equilibrado, preparado por um chef e um nutricionista. Com apenas dois anos de idade, eles degustam um queijo diferente a cada dia. É assim que se constrói a “cultura gustativa” de um povo. A foto acima mostra a tabela que recebemos, todas as semanas, com a descrição das refeições das crianças.

A grande vantagem do povo brasileiro, é a abertura de espirito e curiosidade pelo tema. Lembrando que a importação era fechada até os anos 90, tudo isso é muito recente. Temos muitos vinhos pela frente .

Santé!

Marina Gilberti

16/10/2015 - Posted by | Vinhos

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