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Depois de Dali e Miró, exposição de Picasso chega a São Paulo

deux_femmes_courant_sur_la_plage_la_course picassoA obra que criamos é uma maneira de escrever um diário”, dizia o pintor espanhol Pablo Picasso. Ao analisar em cronologia sua extensa e ampla obra é inevitável concordar com ele. É esta percepção, de certo modo, que a exposição “Picasso: mão erudita, olho selvagem” quer trazer aos brasileiros a partir deste domingo (22/05). Com 150 obras – sendo 90% delas inéditas no Brasil – a mostra apresentada no Instituto Tomie Ohtake com patrocínio da Arteris, permite analisar como o artista foi muito além das deformações e ondas do cubismo.

O movimento artístico é, de certa forma, a expressão mais famosa do artista espanhol – em todas as suas fases e nuances. Mas Picasso também viajou pela art nouveau, impressionismo (com a influência de Van Gogh), arte africana (apresentada a ele por Henri Matisse) e o surrealismo (cujos ideais ele partilhou, mesmo sem ter assinado o manifesto).

“Essa coleção mostra o que Picasso fez ao longo de sua vida e que constituiu-se numa espécie de museu pessoal”, diz a curadora francesa Emilia Philippot. Emilia é também curadora do Musée National Picasso-Paris, proprietário da coleção. As obras foram dispostas em ordem cronológica o que, segundo a curadora, permite analisar não somente as evoluções e rupturas de estilo, como também “o modo que Picasso passava de uma mídia a outra”. 

Entre gravuras, desenhos, esculturas, fotografias e grandes pinturas, a mostra começa com uma tela que Picasso fez em 1985, quando tinha apenas 14 anos. O Homem de Boné impressiona pela complexidade com que o artista espanhol já representa o corpo humano mesmo sendo tão jovem. No espaço ao lado, já aparece o Picasso formado na academia que começara a frequentar a vanguarda artística de Barcelona. Nesta época, a tonalidade azul é uma constante em suas obras, uma influência direta de Van Gogh e um reflexo do horário em que trabalhava, sempre durante as madrugadas, em um pequeno espaço que dividia com o poeta Max Jacob.

De sua evolução como artista, chega-se até a sala onde revelam-se as diversas fases do cubismo – movimento criado por Picasso em parceria com Georges Braque, a partir de 1908. Está ali a fixação do artista em retratar a rosácea do violão, instrumento que representou para ele a ligação entre pintura e música. O destaque da sala é a tela Homem do Violão. É possível notar nesta parte, bem como em outras da exposição, os diferentes desenhos que o artista fez antes de chegar ao quadro final. Detalhista, Picasso exercia seu talento em rabiscos, colagens e na ponta do pincel.

Outro destaque da mostra é a sala que traz o processo de criação de Guernica, talvez o seu trabalho mais famoso. Na sala escura, com projeções de fragmentos da obra, o público pode conferir fotografias de Picasso criando a tela de proporções gigantescas. As fotos foram registradas por sua mulher na época, a pintora e poeta Dora Maar. A tensão política da Segunda Guerra e da guerra civil espanhola também se refletem em outros desenhos expostos nesta área. Ali, embaixo das projeções, o recado de Picasso: “A pintura não é feita para decorar apartamentos”. 

É possível também conferir produções realizadas por Picasso com André Villers. Aos 23 anos, Villers conheceu o artista espanhol e recebeu seu “salvo-conduto” para documentar momentos de sua vida. É com Villers que Picasso mescla suas técnicas de colagem com as da fotografia. Villers morreu no dia 1 de abril de 2016, aos 86 anos. Segundo a curadora Emilia Philippot, há apenas poucos meses ele encontrou-se com a equipe do museu de Paris para contar, em um depoimento minucioso e intenso, os momentos que viveu próximo ao artista espanhol.

A exposição termina com um autorretrato, pintado no dia 14 de abril e 1972, um ano antes de sua morte. Com poucas cores, fundo branco e olhos escuros, Picasso se representa sorrindo, com um ar malicioso, segurando o pincel. “É, no fundo, um convite às gerações futuras, abrindo espaço para as próximas criações”, diz a curadora Emilia Philippot.

22/05/2016 - Posted by | Arte

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