PrimeLife (Ano V)

Viva Bem, Viva Mais, Viva com Estilo

Sinta mais, Pense menos

Quando Jesus traz a boa nova do reino de Deus, ninguém crê nele.

Quando Buda fala do infinito vazio interior, ninguém crê nele.

Nós não podemos crer!

Como podemos crer a menos que venhamos a saber?

Pelo menos um vislumbre é necessário.

Nós vivemos num inferno tão terrível que a notícia sobre o reino de Deus parece apenas um sonho, talvez poesia, mas nada mais. A religião não parece mais que literatura de ficção – uma boa ficção, mas nada mais. Tem que ser isso, porque você não sabe onde está, o que está acontecendo ao seu redor. Você é tão insensível, fechado…

Abra as janelas, abra as portas !

Saia da prisão, coloque-se sob os céus. Sinta novamente ! Pensar não ajuda.

Em seu íntimo, você pode continuar pensando sem cessar, mas sem abrir uma única janela. Só o sentimento consegue tirá-lo de si mesmo – mas você fica com medo de sentir e sente-se à vontade pensando… e com tanto medo de sentir, justamente porque o sentir o tirará de dentro de si mesmo. O sentir o trará de volta ao fluxo da vida. Você estará no rio, movendo-se em direção ao oceano.

Sinta mais, pense menos, e aos poucos você verá que, quanto mais sente, mais relaxado você fica. Quanto mais você sente, mais ciente se torna do segredo da vida – de que não precisa fazer nada a respeito dela, só tem que estar disponível. Apenas disponível, afirmo, e tudo vem até você.

Uma vez que a ideia se estabeleça, tudo desaparece.

O amor é o verdadeiro centro de todos os sentimentos, o amor é a alma de todos os sentimentos. Todos os sentimentos dependem do amor.

Se você não ama, todos os sentimentos acabam desaparecendo.

Se você ama, todos os sentimentos são reanimados.

Alguém pediu a Santo Agostinho: “Diga-me numa frase, numa frase simples, a mensagem total de Cristo, porque eu sou um homem ignorante e não consigo entender as sutilezas da teologia. E não sei muito sobre moralidade, portanto não me dê doutrinas complexas, para que eu possa entender e seguir.”

Dizem que Santo Agostinho fechou os olhos, meditou e em seguida disse: “Então só há uma coisa a fazer – ame, e tudo o mais será conseqüência.”

O amor é maior moralidade, porque ele eleva a parte de você que é sentimento e rebaixa a parte que é pensamento. Não há nenhum problema com a parte pensamento, mas ela assume a função de mestre, o que é errado.

A razão é boa, desde que ajude ao sentimento.

O sentimento deveria ser o mestre e a razão, o servo.

O sentimento deveria guiar e a razão, apenas administrar.

Mas, se a razão se torna o mestre e o sentimento apenas a segue, você morre, pois como pode permanecer vivo só com a razão? A vida é sentimento.

As árvores podem existir sem a razão, mas não sem o sentimento.

Hoje em dia, até os cientistas estão se tornando cada vez mais cientes de que as árvores sentem e sentem tremendamente. Estrelas, rochas, rios, – eles não podem existir sem sentimento. O sentimento é a vida deles. Pássaros, animais, o todo – existem com sentimento. O homem é a exceção. O homem está de cabeça para baixo. A cabeça se tornou a parte proeminente, e ela tem suprimido o sentimento.

É bom sentir, e se o sentimento envolve você, então, nada há de errado em pensar. Se o sentimento vem depois do sentimento – ótimo, ele ajuda. É como um radar. Ele abre caminho para o sentimento agir. Ele protege o sentimento dos perigos. Ele ajuda o sentimento a saber o que vai acontecer em seguida, a planejar um pouco. O pensamento é bom ! Mas bom, apenas como servo.

Se você ama, terá uma afinidade profunda com a existência. As árvores falarão com você. Os pássaros começarão a se aproximar de você. Os animais não terão medo de você – não será preciso. O homem cria o medo por causa da cabeça. Com o coração, ele está novamente unido ao universo.

Ouça esta história:

“Era uma vez, um homem que vivia na praia e amava as gaivotas. Todas as manhãs ele descia até o mar para passear com as gaivotas. E mais de centenas de pássaros vinham brincar com ele.

Um dia, seu pai lhe disse: – Eu ouço as gaivotas ao seu redor, passeando com você – traga algumas para brincar comigo.

No dia seguinte, quando foi até o mar, as gaivotas dançavam acima dele … e não desceram.”

As gaivotas não entendem o que você está pensando com a mente, mas entendem as vibrações que você cria à sua volta – e você está continuamente criando vibrações à sua volta. Você é um transmissor contínuo de vibrações. Aconteça o que acontecer em seu coração, é como se alguém jogasse uma pedra num lago, formam-se círculos concêntricos e eles se alastram – chegam até à margem e espalham-se por toda a volta.

Aquelas gaivotas não sabem exatamente o que o pai pediu ao filho, porque elas não entendem a língua local do homem. Elas não sabem o que de fato aconteceu, mas no fundo sabem que aquele homem não é o mesmo. Foi outra pessoa que chegou, foi um estranho, não o velho amigo. Agora ele veio com uma ideia. A ideia não é conhecida, mas por todo o corpo ele não está mais num estado de entrega. Ele tem alguma idéia para pôr em prática, algum plano, algum desejo. Ele não á o mesmo homem descontraído com quem as gaivotas se sentiam à vontade.

E esse é o segredo de toda a vida: não só as gaivotas, mas a felicidade, a meditação, o êxtase – tudo isso vem quando você está num estado de total entrega, numa disposição profundamente amistosa, numa atitude amável para com a existência. Quando você está de coração aberto, tudo isso vem. Quando você quer forçá-las e acredita que a felicidade é algo como um direito seu, que ela tem de ser conquistada, de repente, as gaivotas da felicidade não descem mais à praia. Elas dançam acima da sua cabeça, mas não descem para brincar com você, para dançar com você, para pular e saltitar! Não, elas nunca se tornarão uma unidade com você. Elas não descerão para o seu ser.

Sim, a felicidade é uma gaivota. A meditação também é uma gaivota. O êxtase é uma gaivota. A existência só compreende a entrega. Se você se entrega, alcança. Você alcança tudo o que esta existência puder lhe dar – e ela pode lhe dar bênçãos infinitas, graça infinitas. Pode lhe dar total saciedade, contentamento. Você pode se tornar um Buda.

A existência está disposta a dar, mas você não está disposto a receber, porque está pensando em como agarrá-la. A existência lhe dá como dádivas, você não pode agarrar, não pode conquistar, não pode alcançar. Por favor, renda-se. Por favor, entregue-se.

Tudo o que é belo, é como as gaivotas. Lembre-se disto: nada pode ser feito. A vida não tem portas dos fundos. Você não pode roubar a vida. Não pode ser um ladrão. A vida dá, e dá infinitamente, e dá incondicionalmente. Por favor, esteja num estado de entrega. Deixe as gaivotas descerem. Não é preciso esforço. O esforço é a porta dos fundos. É preciso sim, a ausência de esforço.

É preciso ter paciência.

É preciso ter poesia.

Deixe a vida acontecer, não tente forçá-la.

Através do fazer, só coisas sem valor são alcançadas.

Através do não fazer, pode-se alcançar tudo o que é belo, tudo o que é sagrado, tudo o que é divino.”

Osho

Em O homem que amava as gaivotas.

01/07/2016 - Posted by | Reflexões

1 Comentário »

  1. Lindo maravilhoso Adorei Bj

    Enviado do meu iPhone

    >

    Curtido por 1 pessoa

    Comentário por Elza Pimentel | 05/07/2016 | Responder


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