PrimeLife (Ano V)

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O amargo é o novo doce

amor amargoO paladar mudou.

Cervejas fracas, drinques açucarados e até mesmo pães e chocolates suaves estão perdendo terreno.

A reação de um adulto ao provar o primeiro negroni é a mesma de uma criança ao levar à boca uma colherada de doce de leite; uma monstruosa careta.

A coincidência ajuda a lembrar o quanto nosso paladar se acostuma a qualquer gosto. E a entender por que de uma hora para outra tanta gente no Brasil passou a tomar vermute quase como se fosse guaraná.

“Até há pouco só se bebia drinques açucarados, como alexander, meia de seda e caipirinhas muito doces, porque a cultura era essa”, diz o experiente barman Derivan de Souza, hoje à frente do Bar Número, em São Paulo. “Felizmente, a moda agora é outra.”

O descrédito cada vez maior do açúcar, que ninguém julgava fazer mal há duas décadas, também ajuda a explicar o fenômeno. Sorte de bebidas amargas como o Campari.

Tido como coisa de velho até pouco tempo atrás, o bitter italiano se reinventou no Brasil graças à ascensão do negroni e fez do país o segundo maior mercado da marca. E não é que o mundo das cervejas vive transformação parecida, assim como o de chocolates e até dos pães artesanais?

Veja abaixo por que tudo que é suave ou doce parece com os dias contados.

por Ricardo Pieralini

O triunfo das IPAs: As cervejas pilsens que se cuidem

Num país tão dominado pelas pilsens, ninguém imaginava que cervejas amargas como a PORTER e a INDIAN PALE ALE pudessem fazer tanto sucesso. A venda desta última, que se destaca pela alta concentração de lúpulo, é a que mais cresce no Brasil. “De longe, é o estilo que mais vendemos”, diz Aloisio Xerfan, dono da Blondine, no interior de São Paulo. Outras IPAs nacionais que merecem atenção s]ao a potente INVICTA 1000 IBU, de Ribeirão Preto, e a SCHORNSTEIN, de Pomerode (SC).

Vai um cacau em barra?

Foi-se o tempo dos chocolates ao leite.

Sediada na Bahia, a marcar de chocolates orgânicos AMMA quase dobrou de tamanho de 2014 para 2015. O motivo? Não dá bolapara o açúcar. “Quem muda para o amargo nunca mais volta para o doce”, garante Diego Badaró, um dos sócios. Desde o início, a barra mais vendida é a 100%, a mais amarga de todas. Se fazem ao leite? “Paramos, sempre foi a menos vendida”, diz Badaró. Outros fabricantes seguem o mesmo caminho.

Sobrou até para os pães

Flávia Maculan é a padeira mais festejada de São Paulo. Bióloga por formação, trocou a ciência pela arte da fermentação natural. O que um dos pães feitos por ela está fazendo neste post? É que eles possuem um quê de amargor bem característico, e têm levado muita gente a abandonar os pães mais leves da padaria da esquina. O toque vem da casca, sempre grossa e torrada. No miolo, nota-se acidez, padrão dos sourdough, que levam fermento natural. Será que os pães doces também estão com os dias contados? No que depender de Flavia, que não planeja assá-los, é muito provável.

 

 

03/09/2016 - Posted by | Bebidas, Gastronomia

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