PrimeLife (Ano VI)

Viva Bem, Viva Mais, Viva com Estilo

A Banalização do Mal

Nas cenas do cotidiano, o mal se banalizou.

Mais um exemplo são as cinco palavras, tatuadas à força na testa de um jovem de 17 anos: “Eu sou ladrão e vacilão”. A tortura ocorreu por ele ser suspeito de roubar uma bicicleta em São Bernardo do Campo (SP). Agressão no adolescente gerou indignação, mas também admiração pelos internautas.

Somos um país que lidera o ranking mundial de linchamentos e homicídios, que banalizou assistir à população fazer justiça com as próprias mãos. Porém, podemos encontrar na filosofia e na psicanálise algumas respostas para entender a banalização do mal. Segundo Theodor Adorno, a principal característica da sociedade de massas não é somente a perda da individualidade, mas a perda da sensibilidade.

O que estamos assistindo todos os dias é a herança da apatia burguesa, que contaminou indivíduos de todas classes sociais, que se tornaram indiferentes a esses acontecimentos e que ainda defendem de forma odiosa essas atitudes brutais nas redes sociais.

Assim o mal embrutece determinadas pessoas diante do sofrimento causado pelo guerra, miséria, injustiça, tortura, repressão e barbárie, como sendo normal a coisificação humana. No seu livro “A Banalidade do Mal”, Hannah Arendt, mostrou que a multidão é incapaz de fazer julgamentos morais e insensível a toda dor e injustiça.

A psicanálise interpreta que a banalização do mal na sociedade atual é a vazão que algumas pessoas fornecem a sua pulsão de morte, conhecida como tânatos. Uma vez que odiosidade e a agressividade são forças que coabitam no ser humano e se manifestam nos conflitos banais de maneira mórbida em nosso cotidiano.

A pulsão de morte simboliza no interior do ser humano como autodestruição, e para o exterior se revela como pulsão de destruição. Por isso, existem pessoas que deixam o seu “demônio interior” falar mais alto, estabelecendo o limite entre o somático e o psíquico, arrastando o organismo a agir em direção do mal. Fiódor Dostoiévski escreveu que sabemos secretamente da existência de um demônio oculto, que habita em nós.

Não é por acaso que fundamentalismo político e religioso se aproveitam da banalização do mal, para destruir o espaço público, criando uma sociedade de indivíduos atomizados, que zanzam pelos shoppings centers tentam esquecer o medo da pobreza. Além disso, esse discurso de ódio desrespeita as diferenças e quer impor as suas normas através da força, condenando todos os que pensam de outro modo.

Entretanto para Jean-Jacques Rousseau o homem só se torna homem, ou seja, torna-se humano pela piedade e a piedade está presente nas pessoas de boa vontade, pois dessa virtude brotam a generosidade, a clemência, a bondade e a benquerença. São poderes mentais, emocionais e espirituais que colocados em ação asseguram a defesa da dignidade humana e recusam a banalização do mal, a fim de bloquearmos a “força luciférica”, que insiste morar dentro de nós.

 

20/06/2017 Posted by | Artigos, Comportamento | Deixe um comentário

Fique com alguém que te faça agradecer por não ter dado certo com ninguém antes

valorizeQuando a gente quer muito uma pessoa, a gente se engana. A gente tenta encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele. A gente clama ao universo para um sim em algo que já começou destinado ao não. A gente quer, e a gente bate o pé e faz pirraça feito criança para conseguir. Mas um dia a gente percebe que amor tem que ser uma via de mão dupla. Amor tem que ser fácil, tem que ser bom, tem que ser complemento, tem que ser ajuda. Amor que é luta é ego. Amor que rebaixa é dor. E então a gente aprende que amor que não é amor, não encaixa, não orna, não serve.

Fique com alguém que não tenha conversa mole. Que não te enrole. Que não tenha meias palavras. Que não dê desculpas. Que não bote barreiras no que deveria ser fácil e simples. Fique com alguém que saiba o que quer e que queira agora.

Fique com alguém que te assuma. Que ande com orgulho ao seu lado. Que te apresente aos pais, aos amigos, ao chefe, ao faxineiro da firma. Que segure a sua mão ao andar na rua. Que não tenha medo de te olhar apaixonadamente na frente dos outros. Fique com alguém que não se importe com os outros.

Fique com alguém que não deixe existir zonas nebulosas. Que te dê mais certezas do que perguntas. Que apresente soluções antes mesmo dos questionamentos aparecerem. Fique com alguém que te seja a solução dos problemas e não a causa.

Fique com alguém que te faça rir. Que te mostre que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros. Que seja o seu refúgio em dias caóticos. Fique com alguém que quando te abraça, o resto do mundo não importa mais.

Fique com alguém que te transborde. Que te faça sentir que você vai explodir de tanto amor. Que te faça sentir a pessoa mais especial do universo. Fique com alguém que dê sentido à todos os clichês apaixonados.

Fique com alguém que faça planos. Que veja um futuro ao seu lado. Que te carregue para onde for. Que planeje com você um casamento na praia, uma casa no campo e um labrador no quintal. Fique com alguém que apesar de saber que consegue viver sem você, escolhe viver com você.

Fique com alguém que não se esconda. Que não te esconda. Que cada palavra seja direta e clara. Que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Fique com alguém cujas palavras complementam suas ações.

Fique com alguém que te admire. Que te impulsiona pra frente. Que te apoie quando ninguém mais acreditar em você. Que te ajude a transformar sonhos em realidade. Fique com alguém que acredite que você é capaz de tudo aquilo que queira.

Fique com alguém que você não precise convencer de que você vale a pena. Que não tenha dúvidas. Fique com alguém que te olhe da cabeça aos pés e saiba, sem hesitar, que é você e só você.

Fique com alguém que te faça olhar para trás e agradecer por não ter dado certo com ninguém antes.

Fique com alguém que faça não existir mais ninguém depois.

Marina Barbieri

05/04/2016 Posted by | Artigos | 2 Comentários

Adaptação não é acomodação

LondresEra Janeiro em Londres. O frio cortava, mas o dia estava bem ensolarado, combinação que costuma facilitar a vida dos turistas. Inclusive a minha, que sou quase íntimo da cidade, pois lá tenho família. É onde mora minha fi lha Melissa, que foi estudar e se radicou, e a minha neta Isabel, princesa que lá nasceu. Apesar disso, tenho comportamento de primeira viagem, pois a cidade costuma me surpreender. Naquele dia o programa era básico: visitar a Abadia de Westminster, a imponente catedral gótica, às margens do Tâmisa. Os séculos se passaram e a abadia sofreu incontáveis reformas e ampliações, foi o palco da coroação de reis e rainhas e, obedecendo a um rito anglicano, tornou-se mausoléu de importantes súditos que fi zeram por merecer essa nobre morada eterna. Westminster comporta cerca de 3 mil túmulos, que podem ser vistos, tocados, e até pisados, uma vez que muitos se espalham pelo chão dos corredores. Eu não sou um necroturista, mas queria experimentar uma vez a sensação de estar perto de Newton, Dickens, Laurence Olivier e, prin cipalmente, Charles Darwin. Todos fazem parte de meu panteão de heróis intelectuais, mas Darwin ocupa um lugar de destaque. Ele me impressionou no colégio e influenciou minhas escolhas, como ter estudado medicina, e ter sido professor de biologia por mais de 25 anos. Tinha planos de visitar sua casa, a Down House, em Kent, mas ela fecha em janeiro para reparos. Bad luck… Ir a Westminster era uma espécie de consolo. Belo consolo, aliás. No local, um fato curioso. Você olha para o túmulo de Newton ao mesmo tempo em que está parado sobre o de Darwin. Impossível não sentir uma emoção contida. Dois gigantes da ciência, tão próximos. Não há como não admirar esses homens que, com os poucos recursos disponíveis na época, criaram teorias que se comprovaram pela observação e experimentação, e que viraram marcos da inteligência humana. Em minha formação intelectual, entretanto, Darwin foi mais forte. Ele está para a biologia assim como Newton está para a física, só que sua teoria ultrapassou as fronteiras da ciência que a gerou. Quando  nos referimos a Newton, costumamos dizer “Leis de Newton”. Quando nos referimos a Darwin, usamos a expressão Darwinismo. Não há um Newtonismo. Por quê? Porque a abrangência de Darwin é maior, saiu da biologia, e pode ser percebida em muitas outras áreas, como na economia, na tecnologia e no conhecimento em si mesmo. Estou certo que você, que está lendo este texto, sabe quem foi Charles Darwin e reconhece sua influência sobre o pensamento moderno. Você o estudou no colégio, como eu. Caiu na prova, lembra? Como também estou certo de que sabe pouco sobre a teoria do evolucionismo, pelo fato de que Darwin é mais conhecido por aquilo que nunca disse. Ele nunca afi rmou, para começar, que o homem descende do macaco. Isso foi dito por seus detratores. Segundo ele, teríamos evoluído a partir de um ancestral comum, em uma linha evolucionária própria, o que é totalmente diferente. Darwin também não negou a intenção divina, apenas explicou que haviam fortíssimas evidências de que seriamos resultado de um longo processo evolucionário baseado na seleção natural. Ele também nunca salientou o tamanho ou a força como determinantes da seleção. O que ele disse foi que, na luta pela sobrevivência, venceu o que tinha mais aptidão. Apenas isso. Entenda-se por aptidão a capacidade de obter alimento. A qualidade da relação do indivíduo com seu ecossistema determina sua sobrevivência e a perpetuação da espécie. Nada mais lógico, pensando bem. Aptidão – esta é a primeira palavra essencial para se compreender o darwinismo. A segunda é adaptação. Como o ecossistema está em permanente mudança, seus habitantes terão que se acostumar com isso e, de certa forma, mudar também para poder continuar vivendo ali. Terão que se adaptar, então. Adaptação é a capacidade de o indivíduo manter – ou recuperar – a aptidão, apesar da mudança do meio ambiente. Os adaptados sobrevivem, se reproduzem e se perenizam. Os não adaptados não conseguem competir pelo espaço e pelo alimento, diminuem sua taxa de reprodução e terminam, com o tempo, por desaparecer.  Interessante essa lógica darwiniana. Uma espécie nunca é exterminada por outra. O que a fulmina é sua incapacidade adaptativa. E o homem atual nisso tudo? Viver na sociedade contemporânea é um ato darwiniano? Sim e não. Longe de mim defender o darwinismo social. Spencer fez isso e foi criticado, com justa razão, pelo simples fato de ter esquecido que possuímos qualidades inexistentes nos bichos. A compaixão, por exemplo, nos estimula a proteger os menos aptos à sobrevivência. Não, não somos orientados puramente pelo darwinismo em nossa evolução social. Apenas o fomos enquanto espécie. Entretanto, há um lado do pensamento do inglês sobre o qual precisamos prestar atenção total – a tal adaptação. Em um mundo cuja principal característica é a velocidade da mudança, quem não a percebe e não a compreende perde a qualidade de viver em harmonia com seu espaço. Uma empresa, por exemplo, é um organismo vivo que habita um ecossistema chamado mercado, e que está em constante transformação. Clientes mudam, tornam-se  mais exigentes, concorrentes ficam mais competitivos, novas tecnologias surgem, solavancos na economia e na política. Mudanças que exigem adaptação permanente.  O mesmo vale para nossas carreiras. Difícil manter a performance profissional se não estivermos estudando, aperfeiçoando o que fazemos, nos transformando. Quase impossível viver sem o auxílio das tecnologias modernas. Não à dependência, sim ao uso racional e produtivo. Adaptação em estado puro. Mas, cuidado, adaptação não é acomodação. Alguém acomodado apenas aceita as coisas como são, a vida como chega. O adaptado interage, entende, muda, mas não se acomoda. A adaptação ativa é protagonista, atuante. É a maravilhosa capacidade humana de acreditar e de mudar para melhor. Que nosso pacto com a evolução, principalmente da consciência, nunca tenha fim, antes, seja sempre um novo começo.

Eugenio Mussak

18/03/2016 Posted by | Artigos | Deixe um comentário

Quem são os “Psicopatas do Cotidiano?”

Você pode estar entre eles.

A psiquiatra carioca Katia Mecler explica, em livro recém-lançado, quem são essas pessoas. Eles podem estar no ambiente de trabalho, no apartamento da frente e até mesmo na família

O ser humano é fascinado por histórias de psicopatas. Os vilões manipuladores que aparecem em manchetes de jornais e protagonizam filmes de terror prendem a atenção com suas atitudes perversas. O que muitos não sabem, contudo, é que além dos casos mais graves, existe um tipo de psicopata que pode até não cometer crimes absurdos, mas que diariamente afeta a vida de quem está ao seu redor.

A psiquiatra carioca Katia Mecler, de 50 anos, discorre sobre esse tipo de personalidade em seu recém-lançado livro Psicopatas do Cotidiano: como reconhecer, como conviver, como se proteger, da editora Casa da Palavra.

A obra trata de pessoas que impingem um sofrimento diário a quem está próximo. Elas podem estar no ambiente de trabalho, no trânsito, no condomínio e dentro da própria família. Disse Katia em entrevista sobre o livro: “Todos nós podemos ser em algum momento da vida perversos, mentirosos e frios. O problema é quando isso se torna frequente — deflagra-se uma patologia”.

Como a senhora define os “psicopatas do cotidiano”, termo que dá nome ao seu livro?

São pessoas que desde a adolescência ou início da vida adulta desenvolveram um transtorno de personalidade e comportamento . Tais problemas têm como característica o excesso de alguns traços comportamentais, como por exemplo mentira, manipulação, egocentrismo, frieza, desconfiança e insegurança.

Ao todo, são 25 traços estabelecidos pelo Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria. A maneira como pensamos, nos comportamos e sentimos naturalmente não é estática. Sempre incluímos em cada ato o que há de bom e de ruim em nós. Qualquer um pode, em algum momento, ser malvado, agressivo, egoísta, arrogante, hostil, manipulador, descontrolado, explosivo… O problema é quando essas características se tornam repetitivas e inflexíveis em vários momentos da vida, chegando ao ponto de causar sofrimento ou perturbação a si mesmo e, sobretudo, aos outros. É aí que surge a patologia.

A senhora poderia dar alguns exemplos de psicopatas do cotidiano?

Eles não são como os psicopatas que vemos em filmes com serial killers e não necessariamente aparecem em manchetes de jornais porque cometeram um crime. Essas pessoas fazem parte da nossa rotina e nem sabemos que elas têm um transtorno. É o chefe que desqualifica o funcionário publicamente, o namorado excessivamente grudento, o parente “esquisitão” que vive enfurnado em casa e evitar contato com outros, o vizinho que está sempre buscando motivos pra criar confusão no condomínio, os pais que frequentemente fazem chantagem emocional com os filhos para que eles tomem atitudes contrárias às suas vontades, os motoristas que perdem a cabeça no trânsito constantemente…

Eles têm consciência de que sofrem de um transtorno?

Em geral, não. Eles podem se sentir diferentes, mas apenas porque acreditam que são superiores. E eles não perdem o juízo da realidade, tampouco seus sintomas aparecem na forma de surtos, com delírios e alucinações, como em casos de esquizofrenia e transtorno bipolar. A pessoa é daquele jeito e age sempre da mesma maneira em determinadas situações.

O que esses psicopatas têm em comum com aqueles que cometem crimes?

Os psicopatas que cometem crimes também têm um transtorno de personalidade, que pertence ao grupo dos antissociais. Mas em um grau ainda mais severo. Eles são frios, oportunistas, impiedosos, manipuladores e mentirosos. É comum utilizarem o outro como trampolim para satisfazer os desejos. Eles carecem de culpa e empatia e não se importam com as regras, convenções nem com o restante da humanidade. Muito se fala sobre esses “vilões”, mas poucos lembram que podemos conviver diariamente com o que chamo de “psicopatas do cotidiano”.

Já se nasce psicopata?

Não, ninguém nasce com personalidade definida. Ela é uma combinação entre temperamento e caráter. O temperamento é herdado geneticamente e regulado biologicamente. Já o caráter está ligado à relação que existe entre o temperamento e tudo o que vivenciamos e aprendemos com o mundo exterior, o ambiente. Nascemos com as sementes do bem e do mal, mas como elas vão germinar, crescer e dar frutos depende de uma série de fatores que irrigarão a nossa vida, como a educação que recebemos, frustrações que vivenciamos e traumas severos. É possível notar o temperamento de uma criança, mas somente depois que ele for combinado ao caráter que será formado. É isso que, no futuro, forma um psicopata.

Quem sofre mais?

O próprio psicopata do cotidiano ou as pessoas que eles fazem sofrer? A maioria dos psicopatas do cotidiano não percebe o constrangimento, o mal-estar e o sofrimento que espalham ao seu redor. Então, em tese, pode-se dizer que as pessoas ao redor do psicopata do cotidiano sofrem mais do que ele. Porém, é preciso destacar que alguns traços patológicos de personalidade também acarretam muito sofrimento ao indivíduo.

Eles conseguem amar?

Se houver amor, será por si próprio. Os psicopatas tendem a ser narcisistas, eles só reconhecem qualidades em si mesmos e acreditam que são pessoas muito especiais. É claro que não há nada errado em ter autoconfiança e boa autoestima, dois elementos que, quando equilibrados, trazem sociabilidade e segurança. O problema é que pessoas com traços de egocentrismo e grandiosidade levam essas características ao extremo e acreditem que suas contribuições são muito mais valiosas do que na realidade.

Há algum tratamento recomendado?  

Em geral, os psicopatas do cotidiano não se responsabilizam pelos próprios atos. Eles estão sempre culpando os outros e costumam injetar sentimentos de culpa no outro. Acham que o problema está fora, que o mundo os atrapalha. Para eles, quando algo não vai bem em suas vidas, o problema é dos que os cercam. Em relação ao tratamento, o mais utilizado é a psicoterapia cognitiva, técnica que leva o indivíduo a reconhecer o que ele faz e como suas atitudes inflexíveis causam prejuízos aos outros.

30/10/2015 Posted by | Artigos, Comportamento | Deixe um comentário

Você precisa de um homem-troféu?

Como já mostrei em outros textos, para muitas mulheres, especialmente para aquelas com mais de 40 anos, ter um marido é um verdadeiro capital. No entanto, não é qualquer homem que pode ser o “capital marital”. Alguns requisitos são necessários. Um dos mais importantes é que ele seja fiel. Ou, melhor ainda, que ela acredite que ele é fiel. Outro é que ele demonstre ter desejo por ela (e só por ela).

Uma empresária de 43 anos disse:

“Ando tão cansada que não tenho vontade de nada, muito menos de sexo. Mas o fato do meu marido ainda querer transar comigo levanta a minha autoestima. Eu ficaria sem sexo por muito tempo. Ele não deixa. Acho que se não fosse por ele, eu seria uma velha gorda e desleixada, aposentada do sexo. Preciso do desejo dele para continuar me sentindo uma mulher atraente.”

Uma atriz de 58 anos fala do desejo do marido por ela com verdadeiro orgulho, quase como se fosse um troféu a ser exibido.

“Tenho amigas muito mais jovens e bonitas do que eu. Seus maridos são infiéis, nem transam mais com elas. Elas se sentem ignoradas, invisíveis, descartáveis. Sou casada há 35 anos e meu marido ainda tem o maior tesão por mim. Transamos três ou quatro vezes por semana. Quando viajamos, transamos todos os dias. Acho uma delícia sentir que ele fica excitado só de encostar em mim. É a prova mais concreta que ainda sou uma mulher desejável.”

Chama atenção o fato de elas usarem o “ainda” com muita frequência. O fato de o marido “ainda” querer transar com ela, no primeiro caso, ou de ela “ainda” se sentir desejável, no segundo, revela que o desejo masculino é uma forma de reconhecimento que elas temem perder. Elas têm medo de deixarem de ser atraentes sexualmente, de se tornarem invisíveis como mulheres, de não conseguirem mais provocar o desejo masculino.

Em muitos casos, elas não falam do próprio desejo. Em outros, demonstram até desinteresse sexual. Mas o fato de “ainda” serem desejadas parece ser uma forma de reconhecimento e também uma fonte de poder.

A atriz concluiu: “Não importa se gozo ou não, pois meu maior prazer é sentir que ele ainda fica excitado comigo. Não existe desejo maior do que o de ser desejada pelo homem que eu amo. Que mulher não precisa disso?” 

Mirian Goldenberg

24/10/2015 Posted by | Artigos | Deixe um comentário

Envelhecer

Richard Gere 01Estamos envelhecendo. Não nos preocupemos!
De que adianta, é assim mesmo.
Isso é um processo natural.
É uma lei do Universo conhecida como a 2ª Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia.
Essa lei diz que: A energia de um corpo tende a se degenerar
e com isso a desordem do sistema aumenta.
Portanto, tudo que foi composto será decomposto,
tudo que foi construído será destruído, tudo foi feito para acabar.
Como fazemos parte do universo, essa lei também opera em nós.
Com o tempo os membros se enfraquecem, os sentidos se embotam.
Sendo assim, relaxe e aproveite.
Parafraseando Freud: “A morte é o alvo de tudo que vive”.
Se você deixar o seu carro no alto de uma montanha,
daqui a 10 anos ele estará todo carcomido.
O mesmo acontece a nós.
O conselho é: Viva. Faça apenas isso. Preocupe-se com um dia de cada vez.
Como disse um dos meus amigos à sua esposa: “me use, estou acabando!”.
Hilário, porém realista.
Ficar velho e cheio de rugas é natural.
Não queira ser jovem novamente, você já foi.
Pare de evocar lembranças de romances mortos, vai se ferir com a dor que a si próprio inflige.
Já viveu essa fase, reconcilie com a sua situação e permita que o passado se torne passado.
Esse é o pré-requisito da felicidade. “O passado é lenha calcinada.
O futuro é o tempo que nos resta: finito, porém incerto” como já dizia Cícero.
Abra a mão daquela beleza exuberante, da memória infalível, da ausência da barriguinha,
da vasta cabeleira e do alto desempenho pra não se tornar caricatura de si mesmo.
Fazendo isso ganhará qualidade de vida.
Querer reconquistar esse passado seria um retrocesso e o preço a ser pago será muito elevado.
Serão muitas plásticas, muitos riscos e mesmo assim você verá que não ficou como outrora.
A flor da idade ficou no pó da estrada.
Então, para que se preocupar?
Guarde os bisturis e toca a vida.
Para que se preocupar com as rugas, você demorou tanto para tê-las!
Suas memórias estão salvas nelas.
Não seja obcecado pelas aparências, livre-se das coisas superficiais.
O negócio é zombar do corpo disforme e dos membros enfraquecidos.
Essa resistência em aceitar as leis da natureza
acaba espalhando sofrimento por todos os cantos.
Advêm consequências desastrosas quando se busca a mocidade eterna,
as infinitas paixões, os prazeres sutis e secretos,
as loucas alegrias e os desenfreados prazeres.
Isso se transforma numa dor que você não tem como aliviar e
condena a ruína sua própria alma.
Discreto, sem barulho ou alarde, aceite as imposições da natureza e viva a sua fase.
Sofrer é tentar resgatar algo que deveria ter vivido e não viveu.
Se não viveu na fase devida o melhor a fazer é esquecer.
A causa do sofrimento está no apego,
está em querer que dure o que não foi feito para durar.
É viver uma fase que não é mais sua.
Tente controlar essas emoções destrutivas e os impulsos mais sombrios.
Isso pode sufocar a vida e esvaziá-la de sentido.
Não dê ouvidos a isso, temos a tentação de enfrentar crises sem o menor fundamento.
Sua mente estará sempre em conflito se ela se sentir insegura.
A vida é o que importa. Concentre-se nisso.
A sabedoria consiste em aceitar nossos limites.
Você não tem de experimentar todas as coisas, passar por todas as estradas
e conhecer todas as cidades. Isso é loucura, é exagero.
Faça o que pode ser feito com o que está disponível.
Quer um conselho? Esqueça.
Para o seu bem, esqueça o que passou.
Tem tantas coisas interessantes para se viver na fase em que está.
Coisas do passado não te pertencem mais.
Se você tem esposa e filhos, experimente vivenciar algo que ainda não viveram juntos,
faça a festa, celebre a vida, agora você tem mais tempo,
aproveite essa disponibilidade e desfrute.
Aceitando ou não o processo vai continuar.
Assuma viver com dignidade e nobreza a partir de agora.
Nada nos pertence.
O que importa é o que está dentro de nós; a velha máxima continua atual como nunca:
“quem tem muito dentro precisa ter pouco fora”.
Esse é o segredo de uma boa vida..

Fernando Portugal

06/09/2015 Posted by | Artigos, Reflexões | Deixe um comentário

Valorize quem realmente te ama

divórcioNaquela noite,enquanto minha esposa servia o jantar, eu segurei sua mão e disse: “Tenho algo importante para te dizer”. Ela se sentou e jantou sem dizer uma palavra. Pude ver sofrimento em seus olhos.

De repente, eu também fiquei sem palavras. No entanto, eu tinha que dizer a ela o que estava pensando. Eu queria o divórcio. E abordei o assunto calmamente.

Ela não parecia irritada pelas minhas palavras e simplesmente perguntou em voz baixa: “Porquê?” Eu evitei respondê-la, o que a deixou muito brava. Ela jogou os talheres longe e gritou “você não é homem!” Naquela noite, nós não conversamos mais. Pude ouví-la chorando. Eu sabia que ela queria um motivo para o fim do nosso casamento. Mas eu não tinha uma resposta satisfatória para esta pergunta. O meu coração não pertencia a ela mais e sim a Jane. Eu simplesmente não a amava mais, sentia pena dela.
Me sentindo muito culpado, rascunhei um acordo de divórcio, deixando para ela a casa, nosso carro e 30% das ações da minha empresa.

Ela tomou o papel da minha mão e o rasgou violentamente. A mulher com quem vivi pelos últimos 10 anos se tornou uma estranha para mim. Eu fiquei com dó deste desperdício de tempo e energia mas eu não voltaria atrás do que disse, pois amava a Jane profundamente. Finalmente ela começou a chorar alto na minha frente, o que já era esperado. Eu me senti libertado enquanto ela chorava. A minha obsessão por divórcio nas últimas semanas finalmente se materializava e o fim estava mais perto agora.

No dia seguinte, eu cheguei em casa tarde e a encontrei sentada na mesa escrevendo. Eu não jantei, fui direto para a cama e dormi imediatamente, pois estava cansado depois de ter passado o dia com a Jane.

Quando acordei no meio da noite, ela ainda estava sentada à mesa, escrevendo. Eu a ignorei e volteia dormir.

Na manhã seguinte, ela me apresentou suas condições: ela não queria nada meu, mas pedia um mês de prazo para conceder o divórcio. Ela pediu que durante os próximos 30 dias a gente tentasse viver juntos de forma mais natural possível. As suas razões eram simples: o nosso filho faria seus exames no próximo mês e precisava de um ambiente propício para preparar-se bem, sem os problemas de ter que lidar com o rompimento de seus pais.

Isso me pareceu razoável, mas ela acrescentou algo mais. Ela me lembrou do momento em que eu a carreguei para dentro da nossa casa no dia em que nos casamos e me pediu que durante os próximos 30 dias eu a carregasse para fora da casa todas as manhãs. Eu então percebi que ela estava completamente louca mas aceitei sua proposta para não tornar meus próximos dias ainda mais intoleráveis.

Eu contei para a Jane sobre o pedido da minha esposa e ela riu muito e achou a idéia totalmente absurda. “Ela pensa que impondo condições assim vai mudar alguma coisa; melhor ela encarar a situação e aceitar o divórcio”, disse Jane em tom de gozação.

Minha esposa e eu não tínhamos nenhum contato físico havia muito tempo, então quando eu a carreguei para fora da casa no primeiro dia, foi totalmente estranho. Nosso filho nos aplaudiu dizendo “O papai está carregando a mamãe no colo!” Suas palavras me causaram constrangimento. Do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa, eu devo ter caminhado uns 10 metros carregando minha esposa no colo. Ela fechou os olhos e disse baixinho “Não conte para o nosso filho sobre o divórcio” Eu balancei a cabeça mesmo discordando e então a coloquei no chão assim que atravessamos a porta de entrada da casa. Ela foi pegar o ônibus para o trabalho e eu dirigi para o escritório.

No segundo dia, foi mais fácil para nós dois. Ela se apoiou no meu peito,eu senti o cheiro do perfume que ela usava. Eu então percebi que há muito tempo não prestava atenção a essa mulher. Ela certamente tinha
envelhecido nestes últimos 10 anos, havia rugas no seu rosto, seu cabelo estava ficando fino e grisalho. O nosso casamento teve muito impacto nela.
Por uns segundos,cheguei a pensar no que havia feito para ela estar neste estado.

No quarto dia, quando eu a levantei, senti uma certa intimidade maior como corpo dela. Esta mulher havia dedicado 10 anos da vida dela a mim.

No quinto dia, a mesma coisa. Eu não disse nada a Jane, mas ficava a cada dia mais fácil carregá-la do nosso quarto à porta da casa. Talvez meus músculos estejam mais firmes com o exercício, pensei.

Certa manhã, ela estava tentando escolher um vestido. Ela experimentou uma série deles mas não conseguia achar um que servisse. Com um suspiro, ela disse “Todos os meus vestidos estão grandes para mim”. Eu então percebi que ela realmente havia emagrecido bastante, daí a facilidade em carregá-la nos últimos dias.

A realidade caiu sobre mim com uma ponta de remorso… ela carrega tanta dor e tristeza em seu coração… Instintivamente, eu estiquei o braço e toquei seus cabelos.

Nosso filho entrou no quarto neste momento e disse “Pai, está na hora de você carregar a mamãe”. Para ele, ver seu pai carregando sua mão todas as manhãs tornou-se parte da rotina da casa. Minha esposa abraçou nosso filho e o segurou em seus braços por alguns longos segundos. Eu tive que sair de perto, temendo mudar de idéia agora que estava tão perto do meu objetivo.
Em seguida, eu a carreguei em meus braços, do quarto para a sala, da sala para a porta de entrada da casa. Sua mão repousava em meu pescoço. Eu a segurei firme contra o meu corpo. Lembrei-me do dia do nosso casamento.

Mas o seu corpo tão magro me deixou triste. No último dia, quando eu a segurei em meus braços, por algum motivo não conseguia mover minhas pernas.Nosso filho já tinha ido para a escola e eu me vi pronunciando estas palavras:”Eu não percebi o quanto perdemos a nossa intimidade com o tempo”.

Eu não consegui dirigir para o trabalho… fui até o meu novo futuro endereço,saí do carro apressadamente, com medo de mudar de idéia… Subi as escadas e bati na porta do quarto. A Jane abriu a porta e eu disse a ela “Desculpe Jane. Eu não quero mais me divorciar”.

Ela olhou para mim sem acreditar e tocou na minha testa “Você está com febre?” Eu tirei sua mão da minha testa e repeti “Desculpe,Jane. Eu não vou me divorciar. Meu casamento ficou chato porque nós não soubemos valorizar os pequenos detalhes da nossa vida e não por falta de amor. Agora eu percebi que desde o dia em que carreguei minha esposa no dia do nosso casamento para nossa casa, eu devo segurá-la até que a morte nos separe.

A Jane então percebeu que era sério. Me deu um tapa no rosto, bateu a porta na minha cara e pude ouví-la chorando compulsivamente. Eu voltei para o carro e fui trabalhar.

Na loja de flores, no caminho de volta para casa, eu comprei um buquê de rosas para minha esposa. A atendente me perguntou o que eu gostaria de escrever no cartão. Eu sorri e escrevi: “Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe”.

Naquela noite, quando cheguei em casa, com um buquê de flores na mão e um grande sorriso no rosto, fui direto para o nosso quarto onde encontrei minha esposa deitada na cama, morta.
Minha esposa estava com câncer e vinha se tratando a vários meses, mas eu estava muito ocupado com a Jane para perceber que havia algo errado com ela. Ela sabia que morreria em breve e quis poupar nosso filho dos efeitos de um divórcio – e prolongou a nossa vida juntos proporcionando ao nosso filho a imagem de nós dois juntos toda manhã. Pelo menos aos olhos do meu filho, eu sou um marido carinhoso.

Os pequenos detalhes de nossa vida são o que realmente contam num relacionamento. Não é a mansão, o carro, as propriedades, o dinheiro no banco. Estes bens criam um ambiente propício a felicidade mas não proporcionam mais do que conforto. Portanto, encontre tempo para ser amigo de sua esposa, faça pequenas coisas um para o outro para mantê-los próximos e íntimos. Tenham um casamento real e feliz!

Se você não dividir isso com alguém, nada vai te acontecer.

Mas se escolher compartilhar para alguém, talvez salve um casamento. Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir.

Valorize quem realmente te ama … Pense nisso.

Carlos Azevedo

24/08/2015 Posted by | Artigos | Deixe um comentário

Ignorar a merda não vai fazê-la sumir

MERDAGostaria de falar da merda.

Nós precisamos falar da merda. Porque ela existe.

Ninguém gosta de estar na merda. As pessoas não gostam nem de falar sobre a merda. Na maioria das vezes, é melhor ficar de bico fechado sobre a merda. A gente finge que a merda não existe. Só que ao querer torná-la invisível só estamos admitindo o quanto ela nos incomoda e o quanto não sabemos lidar com ela.

Nobody loves you when you’re down and out/Nobody sees you when you’re on cloud nine  (“Ninguém lhe ama quando você está para baixo e pobre/Ninguém lhe percebe quando você está extremamente feliz”, na canção de John Lennon.)

A gente foge das coisas que nos botam medo. Colamos em quem trilha o caminho de sucesso eternamente ensolarado (e falso) que desejamos para nós. E isolamos quem está triste. E nos afastamos de quem descarrilou, e nos desinteressamos de quem escolheu outro caminho.

Hoje, como diria uma amiga, “o mundo é flores”. Ela brinca com a concordância para discordar dessa ideia de que tudo são sorrisos, de que só há gente feliz e realizada para todo lado que você olha. Nas redes sociais isso é mais claro do que em qualquer outro lugar. Quase todo mundo ali é belo, radiante, colorido.

Não há espaço para o cinza. E o cinza não é um inimigo da cor. Às vezes é um respiro no gradiente que permite às demais cores serem ainda mais intensas. (O cinza também é uma cor.) Não há espaço para momentos de introspecção, para momentos de dúvida ou de cansaço ou mesmo de tristeza. No mundo da aprovação instantânea, vivemos a ditadura da euforia. Você está proibido de parar de mostrar os dentes.

Não estou aqui para celebrar a merda. Não estou aqui para glorificar a merda. Eu sei bem como é a merda. Sei bem como é estar na merda. E lhe digo: a merda é uma merda. Não sou fã nem amigo da merda.

Mas também não acho que essa mentira coletiva faça algum sentido. Alegria é uma coisa boa, mas não é humano esperar que ela preencha 100% dos espaços em nossas vidas. E nós precisamos ser mais humanos, nos admitir humanos. Nada é mais triste do que um alegria falsa, do que um clima de festa forçado.

O belíssimo filme “Divertida Mente”,  Inside Out, da Pixar, trouxe para a luz a importância do entendimento de cada emoção e sentimento. Perceber o papel da tristeza em nossas vidas, compreender que a alegria infundada e alucinada não resolve tudo, de forma tão poética, bem humorada e divertida talvez tenha sido uma das maiores colaborações recentes da arte para a vida concreta das pessoas. Se você não viu, veja. Se você já viu, veja outras vezes. Os sentimentos precisam ser reconhecidos e respeitados. Todos eles nos formam e nos ajudam e devem ter seu lugar e sua vez dentro de nós.

O mundo superficial das redes sociais expressa a nossa dificuldade em lidar com isso. Aqui embaixo, na vida real, física, de carne e osso, a coisa pega ainda mais.

Falemos do mundo corporativo, onde boa parte de nós desenvolve suas carreiras. O ambiente executivo tem pavor da merda. Não há espaço para dor. Não há espaço para os altos e baixos da existência. Depressão é vista como um crime hediondo, uma palavra que você não ousa pronunciar e que a maioria das pessoas afoga em comprimidos de variadas cores e efeitos.

Todo mundo tem seus dias sem cor e seus desvãos da alma. Isso é humano. Mas ninguém fala sobre isso. Por vergonha. É preciso estar sempre pra cima. É preciso estar sempre animado. Não importa o terremoto, o tsunami ou a bomba atômica que estourem sobre a sua cabeça, ou que existam dentro de você.

A dor psíquica é proibida. Algumas emoções são vistas como fraqueza, como bobagem, como um elemento a ser banido. Como se não falar sobre a coisa – que existe dentro de todos nós – fosse fazer a coisa desaparecer.

Você é convidado, no mundo das empresas, a ser um super-homem e uma supermulher. Esse é o mito que nos move na vida profissional: cavaleiros solitários que passam incólumes por tudo, gente durona que não sente as coisas, que trata apenas de resolvê-las. As relações de trabalho não devem lhe afetar pessoalmente. E você não pode contaminar o ambiente como uma fruta podre. Mantenha as aparências. Mantenha o espírito exultante. O escritório dever ser como numa colônia de férias excitada por G.O.s (lembra dos “gentis organizadores”?).

Eis a vida adulta como ela se apresenta para nós. A gente tem contas para pagar. A gente tem responsabilidades. Não podemos levar “nossos problemas de casa” para o trabalho. Como se a gente não fosse a “casa” dos nossos problemas…

Para algumas pessoas é tranquilo fingir, esconder, sublimar, criar uma personagem e atuar a partir daquela persona, cujas falas às vezes divergem completamente daquilo que estamos sentindo e pensando de fato. Para outra, é impossível manter todas as aparências por todo o tempo. (Graças a Deus!)

Quem se deixa entrever por trás da marca acaba sofrendo. O sistema não lida bem com verdades que destoem do coro geral. Como nos tempos de escolas, nas turmas de amigos, a tendência é quase sempre deixar para trás o que é triste – afinal, ninguém está a fim de “bad vibes” (se estou represando as minhas, por que esse cara não dá um jeito nas suas também?).

Há um jeito melhor de conviver com a merda?

Penso que ajuda admitirmos que ela existe. E que fazer de conta que ela não está ali só a torna mais poderosa.

Depois, nos admitirmos humanos vivendo entre humanos. Não somos perfeitos – então devemos tratar a imperfeição alheia com humildade e compaixão. Só a empatia – outro sentimento exclusivamente humano – pode ajudar. Tentar entender, se colocar no lugar do outro, ouvir – como é importante saber ouvir! –, admitir o outro, sem julgamentos, reaprender a vê-lo. Tudo isso pode diminuir a pressão. Não apenas sobre o outro, mas também sobre si mesmo – sim, você também pode ter um dia ruim, amigo. E eu não lhe abandonar por causa disso. Acolher é melhor do que excluir. Acolher o outro significa também ser acolhido. Excluir o outro é se excluir também.

Ao longo da minha carreira, vi muita gente ser excluída. O sistema expele de modo sumário e cruel peças que deixam de performar bem. Só que nós não somos peças. E o sistema não é algo externo – nós somos a engrenagem. Não somos apenas vítimas dela. Somos também seus pilotos. Então podemos influir no jeito com ela vai funcionar. Se as coisas estão tortas, temos participação nisso. E podemos ajudar a melhorar.

Lembro de um amigo, atravessando um momento ruim, com a vida encrencada em casa e com um problema de coluna que lhe causava dores crônicas, ser ejetado do mundo corporativo. Pouco tempo depois, eu mesmo, afundado na depressão que me trazia dores emocionais e físicas, também fui convidado a me retirar.

Naquele momento, a exclusão me fez muito mal. Mas, hoje, olhando para trás, acredito que, no fim das contas, me fez bem. Não ser aceito, vivendo o que eu vivia e sendo quem eu era naquele momento, só potencializava tudo o que podia haver de pior. Continuar ali, daquele jeito, não era nada bom. Sair abriu um novo caminho, uma nova perspectiva.

A experiência de cair e de levantar me ajudou a entender melhor o sistema. Me ajudou a fortalecer dentro de mim meus valores em relação ao mundo, ao trabalho, às pessoas, a mim mesmo. A gente aprende. Inclusive, e principalmente, com a dor. (Outra razão para admitirmos, sem noias, que ela é parte integrante em nossa vida e que cumpre uma função.) Hoje compreendo melhor meus desejos, minhas crenças, minhas particularidades.

A exclusão me fez trilhar um caminho diferente. Encontrei a oportunidade de aprender a usar o amor para lidar com dores muito maiores do que as minhas, me abrindo a outras pessoas, de forma positiva e otimista. Tal como meu trabalho com crianças com câncer e suas famílias, desenvolvido no Beaba, ONG da qual eu orgulhosamente faço parte.

Falei desse assunto pela primeira vez numa  carta para mim mesmo, 10 anos atrás, num projeto do site Hypeness, publicada em março de 2014. Algumas pessoas me criticaram. Acharam que eu estava me expondo demais. Na era apenas um desabafo. Era a tentativa de capturar, entender e explicar a realidade que eu estava vivendo naquele momento. Justamente por isso, eu não poderia mentir para mim mesmo, ali, falando comigo mesmo. E compartilhar a sua verdade com os outros não poder ser algo ruim. Nem para você nem para os demais.

A depressão é uma doença. É importante dizer que ela não é uma tristeza banal, uma melancolia qualquer ou uma coisa apenas emocional. É um baita desequilíbrio no organismo, de aspectos químicos e energéticos. Não consigo entender exatamente o que me levou a ela, mas tenho a compreensão de diversos fatores, desde uma tendência familiar – um histórico que vem do bisavô – ao fato de a vida ter me colocado num caminho no qual fiz escolhas que não deram muita chance de olhar para mim mesmo, jogando muita sujeira para debaixo de um imenso tapete. Uma hora, a coisa acumula tanto e só aí a gente vê o estrago que isso faz.

Enquanto estive na merda, houve gente que passou pelo meu caminho e me aqueceu o coração. Gente que estendeu a mão. Ou apenas perguntava, todos os dias, como eu estava. Posso dizer que essas pessoas me salvaram.

Eu lutava para vencer a barreira que colocava para quem queria chegar perto. Quando eu digo “todos os dias” não é figura de linguagem. Há gente no mundo que já percebeu a importância de ser gente – antes de ser qualquer outra coisa. Elas têm minha gratidão. E elas me inspiram a perguntar, hoje, para outras pessoas, “todos os dias”, literalmente, “como você está?” Quem recebe, como eu recebi, tem a obrigação de oferecer também. Não tenho o direito de questionar quem não percebeu ou o tanto de gente que nem soube como chegar perto. Poucas coisas são tão difíceis na vida como lidar com o sofrimento do outro. Mas eu peço: insista. Com delicadeza, mas insista. Ninguém consegue sozinho. Eu não consegui.

A merda existe. Outros dias escuros e frios virão. Cada dia é único e deve ser vivido com toda a intensidade e paixão que ele merece – os bons e os não tão bons. O único tempo que existe é o presente. Ela é parte da vida. E a vida é real, é única, é fantástica com tudo de bom e de ruim que ela traz – inclusive a merda.

Reconhecer seu valor – da vida, não da merda – é o que pode ajudar a ultrapassar as piores fases de nossas vidas. Perder essa capacidade é morrer. E, na boa, eu não estou a fim disso.

Jean Boëchat, o Jampa – é, jobiniamente falando, “um pobre amador apaixonado”. É também escritor, compositor e diretor de estratégia digital da agência Talent. É também voluntário do Beaba, ONG que busca desmistificar o câncer infantil de forma leve e otimista.

20/08/2015 Posted by | Artigos | 1 Comentário

Diante das conquistas femininas, o homem abre o coração e assume que quer carinho

homem frágilTrancado do lado de fora de casa completamente despido, o protagonista do conto “O homem nu”, de Fernando Sabino, enfrenta o escrutínio alheio enquanto, próximo ao desespero, busca uma maneira de resolver sua incômoda situação. Uma jornada que serve de metáfora para os conflitos vividos pelo macho heterossexual diante das novas demandas femininas. A diferença entre ficção e realidade é que, hoje, muitos deles estão dispostos a expor os seus corpos e sentimentos em busca de uma vida mais leve — em casa, no trabalho, na cama. Sim, o homem está nu e não é para “comer” uma menina 20 anos mais jovem.

Não é novidade que o modelo tradicional do heterossexual — provedor, viril, forte e racional — está em crise. A liberdade conquistada pelas mulheres (e suas inúmeras possibilidades de escolha) tirou deles a obrigação de dar segurança a elas. E mais: permite aos homens expor suas próprias demandas, como explica a antropóloga Mirian Goldenberg:

— Nas minhas pesquisas, as mulheres dão uma lista com 500 queixas. Eles apresentam apenas uma, básica: falta de cuidado e de gentileza. Elas dizem que eles querem uma mãe, mas eu nunca ouvi um homem falar isso. O que eles pedem é carinho físico. Querem perceber que elas pensam neles — conta Mirian, que lança no dia 23 o romance “Sexo”, em que narra as neuras de uma mulher à espera do telefonema dele após uma noite de sexo casual. — As mulheres vivem uma situação paradoxal, entre a liberdade conquistada e os valores românticos que ainda persistem. Elas querem coisas a que nenhum homem consegue corresponder. Elas querem o George Clooney! — diz.

Aprisionados entre os seus próprios desejos e a pressão para ser George Clooney, estariam os homens na berlinda?

— Eu diria que os homens estão num processo de transformação, ainda um pouco perdidos. É como se viesse uma onda gigantesca e os derrubasse. Eles caem, levantam meio destrambelhados, e lá vem outra onda e os derruba. E, assim, ainda não conseguiram chegar à areia sãos e salvos — resume o jornalista Sergio Haziot, autor do blog “Como conquistar uma mulher”. — No Brasil, infelizmente, ainda há machões e mimados. Mas há algo novo surgindo, timidamente — diz.

Algo novo, certamente, foi o que vimos esta semana. A atriz Zoe Saldana veio a público afirmar que o marido adotaria o seu sobrenome, tornando-se Marco Saldana. No Facebook, ela escreveu: “Homens, vocês não vão deixar de existir por adotarem o sobrenome de suas companheiras”. Por aqui, a editora Intrínseca anunciou que “Grey”, novo livro da série “50 tons de cinza”, será lançado no Brasil em setembro. Nele, a história é contada pelo ponto de vista do homem, do sexo safadinho aos motivos que levaram o protagonista Christian Grey a cair de amores por Anastasia Steele. O canal GNT estreou “Papo de Segunda”, uma espécie de versão masculina do “Saia Justa”, em que quatro homens conversam sobre tudo: do futebol ao comportamento feminino. Sem falar que o corpo mais comentado dos últimos dias não foi o de uma mulher, mas o do ator Rodrigo Lombardi, no primeiro capítulo da novela “Verdades Secretas”.

— Os homens estão ressignificando o seu lugar — afirma a diretora do GNT, Daniela Mignani, que encomendou um estudo sobre a relação entre homens e mulheres. — Hoje, eles são mais parceiros delas e estão se abrindo, a ponto de prepararmos uma temporada do programa “Boas-vindas” sob a perspectiva da paternidade — conta Daniela. O canal também decidiu apoiar a campanha da ONU Mulheres #HeForShe, que busca conscientizar os homens para a igualdade de gêneros. Com o nome de #ElesPorElas, o GNT quer coletar 100 mil assinaturas de homens brasileiros.

O mesmo movimento que faz homens se engajarem em campanhas pela igualdade de gêneros tem lhes permitido abrir o verbo, como faz bem o músico Leo Jaime: “Ninguém se preocupa com o fato de o homem heterossexual viver dez anos a menos do que as mulheres”, “Quando ela é a figura forte do casal, o homem é estigmatizado”, “As mulheres esperam que a gente tenha solução para tudo” e “Homens também gostam de ser cortejados”.

— Há um formato machista que ainda fundamenta os relacionamentos, levando o homem a lidar de uma forma rude com sua sexualidade e suas emoções. Os brasileiros são mal resolvidos e não têm uma vida sexual boa, mas dizem coisas como “Eu sou homem e não preciso de ajuda” ou “Não existe trepada ruim, só trepada perdida”. Isso tudo é uma bobagem — resume Leo.

Companheiro de Leo Jaime no “Papo de Segunda”, João Vicente de Castro acha que os dias do machão estão contados:

— Acho que caminhamos para um modelo de relacionamento igualitário, sem estereótipos de gênero. A vida fácil está terminando para o cara que se acha o fodão. Como é feio ser machista, eles não falam nada, mas sentem o desconforto. Se homem fosse seguro, não teria tanto medo do feminismo.

Essa insegurança bate à porta dos psicanalistas, como narra o terapeuta de família Moisés Groisman:

— A maior parte dos casais que me procura o faz por iniciativa da mulher. Muitos homens foram treinados para ser como o avô e o pai e não conseguem acumular várias funções. Eles têm se sentido muito solicitados e ainda não sabem como lidar com isso. Mas há uma geração entre 30 e 40 anos que tem colaborado mais — explica.

Em meio a seus conflitos, uma coisa eles têm como certa: a mulher real é sexy, nos conta Leo Jaime:

— As coisas com as quais as mulheres se preocupam estão longe do interesse do homem. Se um cara reclamar que a mulher não está depilada, pode mandá-lo embora porque ele não é do ramo. E não precisam comprar lingerie cara ou fazer pose. Calcinha bonita é calcinha no chão!

Por Renata Izaal

26/06/2015 Posted by | Artigos, Comportamento | Deixe um comentário

Coisas que a ciência descobriu sobre a libido

libido1Você sabia que o desejo sexual é provocado em maior escala no cérebro ao invés das virilhas? Cientistas de todo mundo tentam explicar a excitação sexual humana, mas não tem sido fácil. A excitação varia de acordo com o indivíduo e época. Em outras palavras, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero, o que excita alguém pode não excitar outra pessoa. E isso ainda pode mudar com o passar do tempo.

Apesar de todos os esforços para descobrir o que excita os seres humanos, as fontes e variedades de prazer sexual permanecem obscuras.

1. Assistir pornô não afeta seu desejo sexual

Você já deve ter ouvido que a pornografia pode ser destrutiva para os relacionamentos da vida real. Ou talvez que muita pornografia “acostuma” o espectador à imagens eróticas e isso torna a excitação mais difícil em situações sexuais da vida real. E ainda têm os que acreditam que pornô pode causar disfunção erétil. Bobagem!

Estudos publicados no início deste ano não encontraram relação entre a visualização de pornografia e disfunção erétil. E mais: outra pesquisa sugeriu que homens e mulheres com hábito de assistir pornô podem ter sexo com maior frequência e qualidade em comparação a pessoas que não consomem pornografia.

2. Homens bissexuais têm uma vida sexual mais “aventureira”

Pesquisas antigas sugeriram que os corpos dos homens bissexuais respondem mais fortemente a imagens eróticas de homens do que de mulheres (uma descoberta que contribuiu para o ceticismo injusto e ultrapassado sobre a bissexualidade ser mesmo uma orientação sexual distinta).

Mas um estudo de 2013 destacou uma característica chave que pode explicar por que alguns homens bissexuais se excitam mais por mulheres do que outros: aventuras sexuais. Os que são atraídos igualmente a homens e mulheres tendem a uma maior curiosidade sexual – em outras palavras, eles mostram mais interesse em uma ampla gama de atos sexuais.

3. Algumas lésbicas gostam de assistir filme pornô gay masculino

Um grupo de pesquisadores entrevistou lésbicas sobre suas preferências pornográficas e a maioria delas ignorou os pornôs lésbicos, alegando muita irrealidade (a maioria dos filmes pornô lésbicos são claramente feitos por mulheres heterossexuais). Em vez disso, muitas lésbicas são atraídas por filmes pornôs gay masculino.

A sexóloga Meredith Chivers diz que enquanto os homens tendem a excitação física somente em resposta a filmes eróticos retratando sua orientação sexual, as mulheres mostram padrões de excitação semelhante ao assistir qualquer tipo de pornô, independentemente da sua orientação sexual.

4. O “Viagra feminino” ativa seu cérebro

A droga flibanserin, destinada a tratar o baixo desejo sexual em mulheres, não é exatamente a versão rosa do pequeno comprimido azul conhecido como viagra. Ao invés de empurrar o fluxo sanguíneo para os órgãos genitais, flibanserin atinge os neurotransmissores envolvidos na resposta sexual: dopamina, noradrenalina e serotonina.

A droga aumenta a quantidade de dopamina e norepinefrina, que são como aceleradores do cérebro quando se trata de desejo sexual. Ao mesmo tempo, verifica-se um baixo nível de serotonina, que é responsável pela inibição.

5. O desejo sexual de transsexuais é alterado no processo de mudança de sexo

Cerca de 71% dos homens transsexuais relatam um aumento no desejo após a terapia de reatribuição sexual, de acordo com um estudo de 2014, no Journal of Sexual Medicine. “Homens trans tomam testosterona, e testosterona aumenta naturalmente o apetite sexual”, disse o professor Stefan Rowniak, da Universidade de San Francisco.

O oposto é verdadeiro. 62% das mulheres transsexuais entrevistadas dizem que seu desejo sexual diminuiu depois da terapia, muito em decorrência do tratamento hormonal que regula a produção de testosterona, responsável pela libido.

6. O nu não necessariamente excita

Meredith Chivers realizou um estudo para provar que o nu não necessariamente excita. Os participantes do estudo foram expostos a uma ampla gama de estímulos visuais, a fim de avaliar que tipo de imagens excitam.

Vários filmes foram mostrados, inclusive alguns que apareciam algum tipo de nudez. Esses filmes mostravam uma pessoa nua solitária fazendo ioga, ginástica ou simplesmente caminhando. Foram os filmes menos populares, resultando em uma fraca estimulação sexual.

7. Assexualidade é uma orientação sexual distinta

A ciência finalmente se voltou para os estudos de assexuados. No ano passado, cientistas, da Universidade de British Columbia, examinaram pessoas que se declaram assexuais, a partir do seu baixo desejo sexual. Mas essa não é a única característica de um assexuado.

A assexualidade, assim como a homossexualidade e heterossexualidade, é uma orientação sexual distinta. Este ano, a mesma equipe desenvolveu um levantamento de 12 itens que, segundo eles, pode identificar assexuados. É o chamado Asexuality Identification Scale, ou AIS (Escala de identificação assexual, em tradução livre).

8. Zoofilia é a excitação incomum mais comum.

O pesquisador Justin Lehmiller fez uma pesquisa com os leitores de seu blog Sex and Psychology, pedindo-lhes para compartilhar as coisas “mais incomuns” que os deixam excitados. A pergunta é bem perigosa e culminou em respostas bem bizarras. A maioria das respostas era sobre atração sexual por animais – cavalos especificamente.

9. Alimentos afrodisíacos são uma farsa.

Embora muitos alimentos sejam apontados como afrodisíacos, existe pouca ou nenhuma evidência científica de que qualquer um deles de fato aumente o desejo sexual. A maioria das pessoas que acreditam nos alimentos afrodisíacos provavelmente apenas experimentou uma mudança no desejo sexual, e isso coincidiu com algum alimento ingerido recentemente. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Posto desta forma, praticamente qualquer coisa pode ser um afrodisíaco se você já está excitado.

Por Fernando Bumbeers

17/06/2015 Posted by | Artigos, Sexo | Deixe um comentário