PrimeLife (Ano VI)

Viva Bem, Viva Mais, Viva com Estilo

Antoine de Saint-Exupéry

Apaixonado desde a infância pela mecânica, começou por estudar no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Croix, em Mans, de 1909 a 1914. Neste ano da Primeira Guerra Mundial, juntamente com seu irmão François, transfere-se para o colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça, onde permanece até 1917. Quatro anos mais tarde, em abril de 1921, Antoine inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo, depois de reprovado nos exames para admissão da Escola Naval.

Em 17 de junho, obtém em Rabat, para onde fora mandado, o brevê de piloto civil. No ano seguinte, 1922, já é piloto militar brevetado, com o posto de subtenente da reserva. Em 1926, recomendado por amigo, o Abade Sudour, é admitido na Sociedade Latécoère de Aviação (depois conhecida como Aéropostale), onde começa então sua carreira como piloto de linha, voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar, na mesma equipa dos pioneiros Vacher, Mermoz, Guillaumet e outros. Foi por essa época, quando chefiou o posto de Cabo Juby, no sul de Marrocos e então uma colónia espanhola, que os mouros lhe deram o cognome de senhor das areias. Permaneceu 18 meses no Cabo Juby, durante os quais escreveu o romance Courrier sud (“Correio do Sul”) e negociou com as tribos mouras insubmissas a libertação de pilotos que tinham sido detidos após acidentes ou aterragens forçadas.

Após quase 25 meses na América do Norte, Saint-Exupéry retornou à Europa para voar com as Forças Francesas Livres e lutar com os Aliados num esquadrão do Mediterrâneo. Então com 43 anos, ele era mais velho que a maioria dos homens designados para funções, e sofria de dores, devido às suas muitas fraturas. Ele foi designado com um número de outros pilotos para pilotar aviões P-38 Lightning.

A última tarefa de Saint-Exupéry foi recolher informação sobre os movimentos de tropas alemãs em torno do Vale do Ródano antes da invasão aliada do sul da França (“Operação Dragão”). Na noite de 31 de julho de 1944, ele descolou de uma base aérea na Córsega e não retornou. Uma mulher relatou ter visto um acidente de avião em torno de meio-dia de 1 de agosto perto da Baía de Carqueiranne, Toulon. Um corpo não identificável ​​usando cores francesas foi encontrado vários dias depois a leste do arquipélago Frioul ao sul de Marselha e enterrado em Carqueiranne em setembro.

O alemão Horst Rippert assumiu ser o autor dos tiros responsáveis pela queda do avião e disse ter lamentado a morte de Saint-Exupéry. Em 3 de novembro, em homenagem póstuma, recebeu as maiores honras do exército. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilômetros da costa de Marselha. Seu corpo nunca foi encontrado.

As suas obras são caracterizadas por alguns elementos como a aviação e a guerra. Também escreveu artigos para várias revistas e jornais da França e outros países, sobre muitos assuntos, como a guerra civil espanhola e a ocupação alemã da França.

Destaca-se Le Petit Prince (O Pequeno Príncipe) de 1943, livro de grande sucesso de Saint-Exupéry.

Le Petit Prince pode parecer simples, porém apresenta personagens plenos de simbolismos: o rei, o contador, o geógrafo, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros. O personagem principal vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha três vulcões, dois ativos e um extinto. Tinha também uma flor, uma formosa flor de grande beleza e igual orgulho. Foi o orgulho da rosa que arruinou a tranquilidade do mundo do pequeno príncipe e o levou a começar uma viagem que o trouxe finalmente à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu repensar o que é realmente importante na vida.

O romance mostra uma profunda mudança de valores, e sugere ao leitor quão equivocados podem ser os nossos julgamentos, e como eles podem nos levar à solidão. O livro nos leva à reflexão sobre a maneira de nos tornarmos adultos, entregues às preocupações diárias, e esquecidos da criança que fomos e somos.

Frases de Antoine de Saint-Exupéry

Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.
A perfeição não é alcançada quando não há mais nada a ser incluído, mas sim quando não há mais nada a ser retirado.
O essencial é invisível aos olhos.
Tú te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

31/07/2014 Posted by | Lembranças do Dia, Poesia | Deixe um comentário

Comportamentos dos pais que impedirão seus filhos de se tornarem líderes

paisKathy Caprino, que escreve para a Forbes, costumava trabalhar como terapeuta familiar, antes de se tornar coach de carreira e liderança. Nesse longo tempo, em contato com casais, famílias e crianças, Caprino diz ter testemunhado uma variedade de comportamentos funcionais, mas também disfuncionais, por parte dos pais que conheceu. Impedir os filhos de ganhar independência, perseverança e se tornarem os líderes em potencial que são eram práticas frequentes, ainda que inconscientes.

Buscando informações sobre o assunto, Kathy se deparou com os livros do Dr. Tim Elmore, escritor e fundador de uma organização que busca empoderar jovens através de um trabalho de mentoria. O especialista confirmou suas constatações: muitos pais têm tratado suas crianças e adolescentes com mimos e comportamentos super-protetores, impedindo seu crescimento pessoal e podando suas capacidades de liderança – de si mesmos e de empreendimentos ao redor do mundo.

Aqui estão 7 desses comportamentos, identificados por Elmore, e que devem ser evitados se você quer que seu filho se torne um líder capaz:

1. Não deixar as crianças se arriscarem

O medo de perdê-las nos leva a fazer tudo o que podemos para protegê-las. Isso é correto e de fato uma responsabilidade dos pais, mas há riscos saudáveis e que precisam ser permitidos. Psicólogos europeus descobriram que crianças que não podem brincar fora de casa e que nunca chegam a se machucar de leve (sofrer uma queda, por exemplo) frequentemente desenvolvem fobias na idade adulta. Não permitir que adolescentes sofram o fim de um relacionamento amoroso ou que crianças caiam algumas vezes, aprendendo que é normal, provavelmente gerará adultos arrogantes (que não sabem lidar com as falhas) e com baixa autoestima.

2. Correr ao seu socorro muito rápido

Quando cuidamos de todos os problemas e enchemos as crianças de excessivos cuidados, deixamos de ensiná-las a tomar iniciativa e enfrentar suas dificuldades. É necessário que elas aprendam a caminhar sozinhas, para que se tornem líderes. Do contrário, serão adultos acomodados e inconsequentes.

3. Elogiar com facilidade

Não há problemas em elogiar os filhos quando eles merecem, mas a política de que “todos são vencedores” pode ser prejudicial, em longo prazo. É importante fazer com que seu filho se sinta especial, mas elogiá-lo sem critério, deixando de lado comportamentos errados, lhe ensinará a mentir, exagerar e trair, por medo de enfrentar a realidade como ela é e de causar decepção ao admití-la.

4. Deixar a culpa ser um obstáculo para a boa liderança

Seus filhos não precisam amar você todos os minutos de suas vidas. Eles conseguirão lidar com decepções, mas não com o fato de serem mimados. Por isso diga “não” ou “agora não” e deixe que eles lutem por aquilo que realmente valorizam e precisam.

5. Não compartilhar nossos erros

Adolescentes saudáveis desejarão fazer as coisas do seu jeito, e nós como adultos temos que permitir isso, o que não significa que não possamos ajudá-los. Compartilhar erros do passado pode gerar um sentimento de identificação e orientar seus filhos a escolherem melhor. Você não é o único a influenciar seu filho, então busque ser a melhor influência.

6. Confundir inteligência, talento e influência com maturidade

A inteligência é muitas vezes usada como uma medida da maturidade de uma criança, e, como resultado, pais costumam deduzir que uma criança inteligente está pronta para o mundo, o que não é necessariamente verdade. Para decidir quando soltar mais seus filhos e dar-lhes mais independência, observe outras crianças da idade deles, e veja como responde às pequenas responsabilidades que lhes forem dadas. Não apresse nem atrase esta independência!

7. Não fazer o que dizemos

Como pais, é nossa responsabilidade dar o exemplo de vida que queremos que nossos filhos vivam, ajudando-lhes a construir um bom caráter e a serem responsáveis em todos os aspectos. Como líderes de nossas casas, podemos começar por falar apenas com honestidade, sem hipocrisia ou mentiras (nem mesmo aquelas mais simples). Observe suas ações e escolhas éticas; seu filho, com certeza, as estará observando.

30/07/2014 Posted by | Comportamento | 2 Comentários

Viver com inteligência

viver com inteligênciaA inteligência sempre foi vista como uma qualidade intelectual, que se relacionava com a capacidade de cognição, a facilidade de adquirir conhecimento e habilidades.

Nos últimos anos, descobriu-se um novo conceito, o da Inteligência Emocional, que consiste na capacidade de manter o controle das emoções e relacionar-se de modo harmonioso com os demais, lidando com os desafios da vida sem perder o equilíbrio.

No plano da consciência, a inteligência se refere a algo muito mais abrangente. Tem a ver com a capacidade de ser fiel ao seu verdadeiro ser, à natureza essencial com que você foi dotado pelo Todo, a Fonte, Deus, a Presença, o Criador, ou como você preferir nomeá-lo.

Viver em total sintonia com seus talentos e habilidades naturais, respeitando suas necessidades interiores, nisto consiste a verdadeira inteligência. Mas, para tanto, é preciso desenvolver a capacidade de observar permanentemente a si mesmo, de modo a perceber, a cada momento, quais os sentimentos que estão predominando em você.

Se eles forem positivos, tais como, alegria, entusiasmo, paz, vivacidade, motivação, você está no caminho certo. Se, ao contrário, vivencia na maior parte do tempo angústia, ansiedade, insatisfação, tristeza e frustração, algo precisa ser mudado.

Aprender a respeitar suas necessidades e evitar seguir apenas o que a maioria faz, é a única forma de você transformar sua vida em algo que valha a pena.
O essencial neste caso, é uma grande dose de coragem, que lhe permita dizer não a tudo o que o torna infeliz e evitar a apatia e a acomodação, geradas pelo medo de ser fiel ao seu coração…

“Se você está fazendo algo apenas como um dever – você não o ama e você está fazendo apenas como um dever – mais cedo ou mais tarde você será apanhado. E você estará em uma dificuldade sobre como se livrar disso.

Apenas observe nas 24 horas do dia: quantas coisas você está fazendo das quais não deriva nenhum prazer? Que você não cresce a partir delas, e de fato, você quer livrar-se delas? Se você está fazendo muitas coisas na sua vida das quais você realmente quer se livrar, você está vivendo de modo não inteligente.

Uma pessoa inteligente fará a vida dela de tal modo que terá uma poesia de espontaneidade, de amor, de alegria. É a sua vida, e se você não for agradável o suficiente para si mesmo, quem irá ser agradável para você?

Se você está perdendo isto, a responsabilidade não é de ninguém mais. Eu ensino você a ser responsável em relação a si mesmo – esta é a sua primeira responsabilidade.
Tudo mais vem a seguir. Tudo mais, inclusive Deus vem a seguir. Porque ele pode vir somente quando você é. Você é o verdadeiro centro do seu mundo, da sua existência.
Então, seja inteligente. Traga a qualidade da inteligência. E quanto mais inteligente você se tornar, mais capaz você será de trazer mais inteligência para a sua vida.

Cada único momento pode se tornar tão luminoso com inteligência… então, não há necessidade de uma religião, não necessita meditar, não necessita ir a igreja, não necessita ir para algum templo, não necessita nada extra.

A vida é intrinsicamente inteligente. Apenas viva totalmente, harmoniosamente, em consciência, e tudo seguirá belamente. Uma vida de celebração segue a luminosidade da inteligência”. Osho – A visão do Tantra.

29/07/2014 Posted by | Autoconhecimento | Deixe um comentário

Carrot Clarinet

Linsey Pollak transforma uma cenoura em um clarinete usando uma furadeira elétrica, uma cenoura e um bocal de saxofone, e tudo em 5 minutos.

29/07/2014 Posted by | Entretenimento | Deixe um comentário

Trailer de ’50 tons de cinza’ mostra pouco sadomasoquismo

Filme estreia em fevereiro e adapta o best seller erótico de E.L. James.
Cenas apresentam o momento em que casal protagonista se conhece.

Lançado nesta quinta-feira (24), o primeiro trailer do filme “Cinquenta tons de cinza” oferece pouco das cenas de sadomasoquismo que popularizaram o best seller homônimo escrito por E.L. James. O longa, que tem estreia prevista para fevereiro de 2015, adapta o volume inicial da trilogia conhecida como “pornô para mamães”. Quem dirige o longa é Sam Taylor-Johnson (“O garoto de Liverpool”).

Com 2 minutos e 24 segundos de duração, o vídeo de início apresenta o primeiro encontro entre os protagonistas (até aquele momento, desconhecidos um do outro). O futuro casal é formado pelo milionário sedutor e dominador Christian Grey (Jamie Dornan) e pela ingênua estudante de literatura Anastasia Steele (Dakota Johnson). A serviço de um jornal, ela vai até a empresa dele para entrevistá-lo.

Mais tarde, a jovem descreverá seu entrevistado como “educado, intenso, inteligente e bastante intimidador”. Em outra conversa, Anastasia pergunta a Grey: “Então, a que se deve seu sucesso?”. A resposta é sugestiva: “Exerço controle sobre tudo, senhorita Steele”.

Em seguida, o par central é visto aos beijos em cenas que sugerem romance ou sexo, mas nada com muitos detalhes. A dupla também aparece num avião e participando de um jantar em que Grey, por baixo da mesa, acaricia a coxa de Anastasia. Perto do fim, o protagonista surge sem camisa algumas vezes e diz que tem “gostos bem peculiares”. Como a jovem pede para conhecê-los, ele apresenta à parceira um cômodo em que guarda apetrechos sexuais.

Antes do término, uma sequência rápida mostra Grey segurando uma espécie de chicote e o encostando nas costas de Anastasia, que ainda terá uma venda colocada sobre os olhos e as mãos atadas a uma cama. Neste momento, a trilha sonora é uma versão lenta de “Crazy in love”, hit lançado em 2003 por Beyoncé. No sábado (19), a própria cantora já havia divulgado em seu perfil no Instagram um vídeo promocional de 15 segundos de “Cinquenta tons de cinza”.

O elenco do filme tem ainda o ator Luke Grimes e a cantora Rita Ora, interpretando, respectivamente, Elliot e Mia Grey, irmãos adotivos de Christian.

Assista abaixo ao trailer legendado de ‘Cinquenta tons de cinza’.

24/07/2014 Posted by | Entretenimento | 2 Comentários

Fogos de Artifício

A história da pirotecnia provavelmente iniciou-se na Ásia, já na Pré-História. Mas, seguramente, podemos afirmar que a pólvora foi fabricada pela primeira vez, por acaso, na China há cerca de 2000 anos. Um alquimista chinês juntou acidentalmente salitre (nitrato de potássio), enxofre, carvão e aqueceu a mistura. Esta mistura secou como um pó negro, floculante, que quando queimado apresentava grande desprendimento de fumaça e chamas. Tal produto recebeu o nome de huo yao (“fogo químico”) e posteriormente ficou conhecido como pólvora. A pólvora foi empregada como projéteis explosivos em armas elementares de bambu e de ferro, semelhantes a flechas, desde o ano de 1304. Para fins pacíficos, ela somente começou a ser utilizada nos fins do século XVII em minerações e construção de estradas. O “fogo químico” foi o único explosivo utilizado até o século XIX, quando surgiram a nitroglicerina e a dinamite.

Já os chamados fogos de artifício datam de alguns milhares de anos antes de Cristo, isto é, em uma época muito anterior ao conhecimento da pólvora. Eles surgiram quando se descobriu que pedaços de bambus ainda verdes explodiam quando colocados em fogueira. Isso ocorria devido ao fato de que os bambus crescem muito depressa. Com isso, formam-se bolsas de ar e de seiva, que ficam presas dentro da planta, inchando e explodindo quando aquecidas.

Os ruídos resultantes assustaram inicialmente os chineses. No entanto, eles passaram a jogar caules verdes de bambus (pao chuck) em fogueiras durante festivais e comemorações com o objetivo de assustar maus espíritos. Mais de 2000 anos depois, foi observado que se bambus ocos fossem recheados com o já conhecido “fogo químico” e lançados ao fogo, o ruído resultante era muito maior. Eram os primeiros fogos de artifício a serem fabricados como conhecemos hoje.

O conhecimento da pirotecnia era difundido na China e na Índia durante séculos antes de se estender até a Europa por meio dos árabes e gregos. A arte de construção de fogos de artifício foi muito desenvolvida na Arábia no século VII, sobretudo pelo fato de os sais oxidantes de potássio serem bastante utilizados pelos alquimistas do Islã.

Posteriormente, acresceu-se à pólvora o uso de magnésio e alumínio. Estes metais permitiam a obtenção de um brilho nunca visto e de um número muito grande de efeitos luminosos. Com o advento da química moderna e descoberta de suas leis, muitos elementos foram estudados, assim como suas reações. Hoje em dia, diversos efeitos visuais foram acrescidos aos fogos de artifício com a mistura de diferentes substâncias, como:

– Nitrato + carbonato ou sulfato de estrôncio = vermelho – Nitrato + clorato ou carbonato de bário = verde – Oxalato ou carbonato de sódio = amarelo – Carbonato ou sulfeto de cobre + cloreto mercuroso (calomenano) = azul

Atualmente existem diversos tipos de fogos de artifício, e seus efeitos dependem da composição ou da estrutura da peça.

Entretanto, todos são construídos com fundamento em um mesmo princípio: armazenar o máximo de energia em um mínimo espaço.

Os chineses não são apenas os inventores dos fogos de artifício, eles ainda são os mestres.

Vejam este vídeo:

22/07/2014 Posted by | Contemplação | Deixe um comentário

O Tempo e as Jabuticabas

rubem alvesEm homenagem ao escritor Rubem Alves nascido em 15/9/1933, em Boa Esperança (MG), e falecido dia 19 próximo passado.
Rubem Alves foi um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena…….e para mim basta o essencial.”

por Rubem Alves

22/07/2014 Posted by | Poesia | 1 Comentário

O Voo da Gaivota

gaivotaQuem não aprecia o voar de uma gaivota? Lindo! Todos os pássaros são maravilhosos, mas ela, especialmente, pois voa ainda mais alto e desce, de vez em quando, para se alimentar; tem asas possantes e me dá sempre uma sensação de liberdade, de viver acima dos problemas de nosso mundo.

Esta imagem me veio à consciência e junto com ela a ideia de que nós também podemos voar acima das preocupações e das dificuldades, em busca de uma visão mais abrangente da vida, através da expansão de nossas consciências.

Temos a mania de enxergarmos tudo através da ótica estreita de nossos interesses particulares, de nossos conceitos, crenças e desejos. Mas, para sermos mais justos com a Vida, é preciso que lembremos que nossa visão fica muito particularista e fragmentada quando usada dessa forma.

Somos influenciados por um sem número de variáveis que determinam o nosso pensar, mas ao lado disso, somos também cidadãos de um planeta em particular, somos seres cósmicos, somos todos irmãos em essência, somos todos um…

Para crescermos em compreensão, precisamos fazer como a gaivota. Ir além, bastante expandidos, nos colocando sempre no lugar do outro que se apresenta de forma diferente de nós, mas que também tem uma vivência muito diversa da nossa.
Querer compreender o outro como se ele fosse como a gente, é uma forma errada e muito limitante de agir.

Somos o que já éramos, quando encarnamos, mais as influências todas que vimos sofrendo durante os anos principais de nossa formação, passando pelas provas e lições que a grande terapeuta -a Vida- vem nos apresentando o tempo todo.
Por que não nos colocamos no lugar do próximo, antes de julgá-lo, de tentar emitir conceitos sobre ele?

Voar acima da realidade, sempre que possível, vai nos proporcionar uma visão mais ampla e diversificada dela e certamente mais verdadeira.
O que sabemos nós, o quanto podemos nós, como seres humanos, navegando em meio a tantos acontecimentos diferentes e incontroláveis?

Sempre estamos influenciando e sofrendo influências, de tudo e de todos. Num intrincado jogo de xadrez onde cada pedra que se move modifica tudo, para todos.
Muita mudança…

Mas, acima de tudo, num voo mais alto, acima das diferenças e das turbulências existe certa calmaria, um vento ameno que nos acolhe e nos ensina que nada é assim tão exatamente como parece, mas tem nuances, é complexo, multifacetado e é como precisa ser naquele instante.

Quanto mais formos capazes de abandonar um pouco nosso ego, nossa personalidade limitadora, mais alçaremos paragens amplas e iluminadas em nós mesmos.
Quando tudo em um dado momento parecer obscuro, difícil de ser compreendido, lembremos do voo da gaivota. Procuremos ir dali para mais além, abarcando uma realidade maior, sem limites, entrando em contato com uma dimensão em nós que é livre de rótulos e de limitações, onde somos e isso nos basta, onde a sensação de pertencer nos acolhe e nos fortalece…

A gaivota alça voo no espaço exterior e nós nos libertamos também quando vamos para além do ego, do nome, sexo, sobrenome, cidadania e penetramos na região do Amor e da Paz, onde nada disso tem grande importância.

Aí nos encontramos verdadeiramente. Aí compreendemos o outro como é e nos apaziguamos, pois percebemos que existe algo muito maior do que todas essas diferenças e particularidades, que nos une e que nos torna conhecidos uns dos outros.
A imagem é muito forte – a da gaivota em seu voo! A mensagem é clara: não se deixe abater pela dificuldade do dia-a-dia. Voe… Vá além e busque a liberdade e a plenitude de seu Ser. Aí, se abasteça de paz, do conhecer mais profundo e se fortaleça para encarar a realidade com mais serenidade.
Cada dia mais atropelados pelo mundo real, imersos numa realidade barulhenta, cheia de necessidades e desejos, só procurando a nós mesmos poderemos nos salvar, me parece.

Alcemos voos como as gaivotas e certamente compreenderemos que muito pouco é possível definir, do que nos acontece, mas que estamos imersos num universo dinâmico que nos impele para onde precisamos e merecemos ir.

21/07/2014 Posted by | Autoconhecimento | Deixe um comentário

Fácil x Difícil

estarFácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.

Difícil é sentir a energia que é transmitida.

Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

18/07/2014 Posted by | Reflexões | Deixe um comentário

João Ubaldo Ribeiro

Hoje, nos deixou o escritor João Ubaldo Ribeiro.

Nascido em Itaparica, na Bahia, João Ubaldo é autor de diversos clássicos da literatura brasileira, como “Sargento Getúlio”, “O Sorriso do Lagarto”, “A Casa dos Budas Ditosos” e “Viva o Povo Brasileiro”, entre outros.

Em 2008, o escritor conquistou o Prêmio Camões, concedido pelos governos de Portugal e do Brasil, para autores que contribuem para o enriquecimento da língua portuguesa.

O escritor também venceu, por duas vezes, o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Em 1972, conquistou o Jabuti de Melhor Autor, por “Sargento Getúlio”. Em 1984, venceu na categoria Melhor Romance, por “Viva o Povo Brasileiro”.

João Ubaldo se formou em bacharel de Direito, em 1962, mas nunca exerceu a profissão. Ele foi professor da Escola de Administração e da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia e da Escola de Administração da Universidade Católica de Salvador, além de jornalista.

As nossas homenagens a este grande escritor que muito contribuiu para a Literatura Brasileira, além de ter sido um grande ser humano.

O romance “O Sorriso do Lagarto” virou uma série na Tv com o bela tema “Mercy Street”, de Peter Gabriel, cantada por Ritchie.

18/07/2014 Posted by | In Memoriam | Deixe um comentário