PrimeLife (Ano VI)

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A Arte de Amar

a-arte-de-amarO psicanalista e filósofo alemão Erich Fromm se propôs a estudar ferrenhamente alguns temas essenciais da experiência humana, tais como moralidade, razão e, principalmente, o amor, tema pelo qual ele se tornou famoso devido à sua abordagem tão íntegra.

Em seu livro mais popular, A Arte de Amar, o autor oferece descrições teóricas e aplicações práticas do amor no sentido mais profundo e amplo da palavra. Ele descreve as raízes de nossos anseios por amar e ser amado. Fromm apresenta esta obra da seguinte forma:

“Este livro quer mostrar que o amor não é um sentimento que pode ser facilmente cultivado por qualquer pessoa, independentemente do nível de maturidade alcançado por ela. Ele quer convencer o leitor de que todas as suas tentativas para o amor estão fadadas ao fracasso, a menos que se tente desenvolver sua personalidade total, de modo a alcançar uma orientação produtiva; que a satisfação do amor individual não pode ser alcançada sem a capacidade de amar o próximo, sem humildade, verdade, coragem, fé e disciplina. Em uma cultura em que essas qualidades são raras, a realização da capacidade de amar deve permanecer um feito raro.”

Fromm sugere que uma das maiores necessidades do homem é evitar a angústia da separação, provinda do sentimento de solidão e isolamento. O homem é dotado de razão, a qual lhe faz compreender da finitude de sua vida e sobre os sentimentos desagradáveis que envolvem a desunião. Assim, busca preencher um vazio ao encontrar um alívio para esses sentimentos, e o amor lhe parece ser a solução mais contundente e eficaz para esse propósito.

A consciência de si mesmo como entidade particular, separada; a consciência de seu próprio e curto período de vida, de morrer contra a vontade, antes daqueles que ama, ou estes antes dele; a consciência de sua solidão e separação, “tudo isso faz de sua existência apartada e desunida uma prisão insuportável”. Seres humanos ficariam loucos se não pudessem libertar-se de tal prisão e alcançar outros seres humanos, através do amor.

A experiência de separação desperta grande ansiedade, e dá origem à culpa e um sentimento de arrependimento. Assim, o amor surge como luz na escuridão. A fim de escapar da condição de separação, esta que, para Fromm, atormenta todos os homens, busca-se nas relações afetivas um antídoto. Entre as respostas procuradas para a existência humana, a mais completa, segundo Fromm, está na realização da unidade interpessoal, da fusão com outra pessoa: está no amor.

O próprio fato de que a humanidade continua a existir nesse mundo, apesar de todas as forças para destruí-la, é prova do poder unificador do amor.

Na história, os seres humanos sempre passaram a vida tentando resolver o problema fundamental de estar separado de outras pessoas. É claro que, para muitos, essa separação não é tão dolorosa assim, mas não deixa de ser sentida, conscientemente ou não. E seus efeitos são, comparativamente, os mesmos, embora cada pessoa reaja a eles de formas diversificadas, em resposta às suas motivações.

Mesmo quem evita ou ignora o amor procura subterfúgios para lidar com as sensações desagradáveis de solidão, tédio e melancolia, experimentadas universalmente. Esses subterfúgios costumam ser experiências de entretenimento e ocupação que, apesar de significativas e, cada uma à sua forma, intensas, são sempre transitórias e periódicas. Por isso, muitos procuram o amor como ideal fixo, de forma a evitarem necessidades superficiais e passageiras que não oferecem mais do que satisfações de curto prazo, que insatisfazem a longo prazo, justamente por sua finitude. Segundo Fromm:

“A falência absoluta em alcançar esse alvo significa loucura, porque o pânico do isolamento completo só pode ser ultrapassado por um afastamento do mundo exterior de tal modo radical que o sentimento de separação desapareça – porque o mundo exterior, de que se está separado, também desapareceu.”

Muitas pessoas acreditam que o amor destrói sua liberdade como indivíduo. Mas Fromm diz que isso não é verdade. Em primeiro lugar, ele diz, o amor não se limita a dar no sentido material. Ao amar, nós oferecemos parte de nossa essência, contida em sentimentos, intuições, preocupações e interesses. Em segundo lugar, amar exige que se desprenda do ego; parte da disposição de estarmos livres para amar, e não para ser livres. O amor enriquece o doador, argumenta Fromm, porque o amor produz a união, que reforça nossa verdadeira individualidade.

“No amor, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.”

No livro, Fromm disserta que o tipo de amor capaz de resolver alguns problemas existenciais pode ser descrito tanto por aquilo que é quanto pelo que não é. O amor é uma resposta satisfatória e sã para muitos desses problemas, mas, dependendo de sua compreensão, essa resposta pode soar superficial e banal.

Muitos pensam que o amor é um objeto a ser perseguido e possuído, e não uma emoção que deve ser cultivada e semeada como virtude. Como o amor, toda virtude deve ser aprendida e trabalhada, do contrário, será disfuncional por falta de uso.

O filósofo alemão afirma, com segurança, que o amor é uma arte e, se é uma arte, exige conhecimento, esforço e disciplina. Ninguém pode se tornar um mestre do dia para a noite. Isso demanda tempo e prática. Com o amor não é diferente.

O autor, salientando sua metáfora do amor como arte, escreve:

“O primeiro passo a tomar é estar consciente de que o amor é uma arte, assim como a vida é uma arte. Se queremos aprender a amar, devemos proceder da mesma forma que temos de proceder se queremos aprender qualquer outra arte, como música, pintura, carpintaria, ou a arte da medicina e engenharia, por exemplo. Quais são os passos necessários para aprender qualquer arte? O processo de aprender uma arte pode ser dividido em duas partes: um, o domínio da teoria; outro, o domínio da prática. Eu deverei me tornar um mestre nessa arte só depois de uma grande quantidade de prática, até que os resultados do meu conhecimento teórico e os resultados do meu conhecimento prático misturem-se em um – a minha intuição, a essência do domínio de qualquer arte.”

Além de aprender teoria e prática, Fromm enaltece, há um terceiro fator necessário para se tornar um mestre em qualquer arte: o domínio da arte deve ser um motivo de preocupação final; deve haver nada no mundo mais importante do que isso.

“E, talvez, aqui reside a resposta para a pergunta de por que as pessoas em nossa cultura tentam tão raramente aprender essa arte, apesar de suas falhas óbvias. Eu digo, apesar do desejo profundo de amor, quase todo o resto é considerado mais importante do que o amor: sucesso, prestígio, dinheiro, poder – quase toda nossa energia é utilizada para a aprendizagem de como alcançar estes objetivos, e quase nenhuma para aprender a arte de amar.”

Na visão de Fromm, o amor não é um substantivo ou objeto, mas sim um verbo e uma prática. Ao ler A Arte de Amar, entende-se melhor como muitas dores e frustrações existenciais são ocasionadas por um simples problema de abordagem em relação ao amor.

Se duas pessoas forem estranhas e, de repente, a parede entre elas se quebra, esse momento de unificação é uma das experiências mais instigantes da vida. É ainda mais instigante para quem esteve, antes, isolado. Segundo Fromm, este milagre de súbita intimidade muitas vezes é facilitado se for combinado com atração sexual e consumação. No entanto, ele diz, este tipo de amor é, por sua própria natureza, fragilizado e não duradouro.

“As duas pessoas se tornam bem familiarizadas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso, até que seu antagonismo, suas decepções e o tédio mútuo matem o que resta da excitação inicial. Porém, no início, essas pessoas não sabem disso: na verdade, elas tomam a intensidade da paixão, sendo e vivendo essa loucura um sobre o outro, para a prova da profundidade de seu amor, enquanto ele só pode revelar o grau de sua solidão anterior.”

De acordo com Fromm, não há praticamente qualquer atividade, empreendimento que é iniciado com tão tremendas esperanças e expectativas, e ainda, que falhe regularmente, como o amor.

A única forma de evitar esse histórico de fracasso, argumenta o filósofo, é examinar as razões subjacentes para a desconexão entre nossas crenças sobre o amor e sua atribuição real – que deve incluir um reconhecimento do amor como uma prática informada ao invés de uma graça imerecida.

Assim como não há um manual para ser artista, não há um manual de como amar. Segundo Fromm, não se deve consultar um guia “faça você mesmo” para o amor, já que não existe. Deve sim investir no desejo de se tornar um artista do amor. Para isso, é necessária uma conscientização acerca de teoria do amor e prática amorosa.

O autor teorizou que existem quatro atividades necessárias para o amor. A primeira atividade é o cuidado. Amar aquele pelo qual se trabalha, e trabalhar por aquele que é amado. Se, por exemplo, uma mulher nos disse que adora flores, e vimos que ela se esqueceu de molhá-las, nós não acreditamos em seu amor por flores. A segunda atividade é responsabilidade. Ser responsável significa estar alerta, disposto e pronto para agir e responder. É um ato voluntário, elemento do amor. A terceira atividade é o respeito. O desejo por considerar e apoiar o outro como ele é, e não como queremos que seja. Respeito não é medo ou temor, mas a ausência de exploração. Fromm acrescenta que “responsabilidade poderia facilmente deteriorar-se em dominação e possessividade, se não fosse por respeito”. A quarta e última atividade necessária é o conhecimento. Fromm sugere que “não é possível respeitar uma pessoa sem conhecê-la”.

O autor também teorizou que, na prática, há três requisitos gerais para se dominar qualquer arte, como o amor. O primeiro requisito é a disciplina. Não se torna especialista em algo quem não dedica tempo e esforço suficientes para tal. Nesse caso, a preguiça é a maior inimiga. O segundo requisito é a concentração. Deve-se manter a atenção, submersão em foco e evitar trivialidades. Como diz Fromm, “nossa cultura leva a um modo de vida desconcentrado e difuso; fazem-se muitas coisas ao mesmo tempo”. Por fim, o terceiro requisito é a paciência. Boa arte leva tempo e dedicação. “Quem anda atrás de resultados rápidos nunca aprende uma arte”.

Outro elemento do amor citado separadamente por Fromm, tão importante quanto todos os outros, é a fé. Amar é um ato de fé. Precisamos acreditar na outra pessoa, se abrir para ela, mesmo sabendo que isso nos torna mais vulneráveis. Algumas pessoas hesitam em fazer isso, com medo de serem feridas ou decepcionadas por causa de sua abertura emocional. Mas, sem essa permissão de abertura, que se baseia na fé, não pode haver amor.

Após falar sobre alguns elementos teóricos e práticos sobre a arte de amar, Fromm discute os diferentes tipos de amor, que são: amor fraterno, amor maternal, amor paterno, amor erótico e amor próprio.

Ao discutir sobre amor fraternal, ele afirma que o amor é baseado em uma atitude; uma forma de pensamento que é solidificado pela prática, direcionada para tudo e para todos. Dessa maneira, o autor sugere que devemos amar, além dos irmãos e amigos, nossos inimigos. Se alguém diz que só é capaz de amar uma pessoa ou grupo de pessoas, passa a impressão de ser indiferente para com as demais, o que, na opinião de Fromm, não demonstra amor verdadeiro. Pelo contrário, é mais uma forma de egoísmo. Para o amor ser realmente amor, e não matéria de egoísmo, deve ser totalmente inclusivo: uma atitude altruísta, a qual Fromm chama de fraternal. “O amor fraterno é amor por todos os seres humanos; caracteriza-se pela própria falta de exclusividade”.

Amar a todos é um desafio que poucas pessoas estão dispostas a enfrentar. É claro que isso é nada fácil de acontecer, mas ninguém disse que o amor é fácil. Contra inimigos ou pessoas que ameaçam nosso bem-estar, é mais fácil sentir ódio e indiferença, que requerem menos esforço, uma vez que são comumente respostas para tudo o que nos testa o amor.

Já o amor maternal, este costuma ser incondicional, sem amarras. A mãe ama a criança, independentemente do que ela faz, pelo simples fato de que é seu filho. Por outro lado, sugere Fromm, o amor paterno é condicional, sujeito à fragilização em caso de desalinhamento entre as expectativas do pai e os comportamentos do filho.

Fromm aponta que, assim como todos nós temos uma mistura de características masculinas e femininas, cada pessoa tem a capacidade de expressar tanto amor maternal quanto paternal. Para o filósofo, a maturidade do amor resulta do equilíbrio entre estes dois tipos de amor.

“O amor infantil segue o princípio: ‘Amo porque sou amado’. O amor amadurecido segue o princípio: ‘Sou amado porque amo’. O amor imaturo diz: ‘Eu amo você porque preciso de você’. O amor maduro diz: ‘Eu preciso de você porque amo você’.”

A pessoa imatura coloca suas necessidades em primeiro lugar, ao passo que a pessoa madura considera o amor como mais importante, na análise de Fromm.

Outro tipo de amor importante é o amor próprio. Fromm assinala que é preciso distinguir entre amor próprio e egoísmo. “O egoísmo e o amor próprio, longe de serem idênticos, são efetivamente opostos”. O egoísmo é uma forma de adoração narcísica que nada tem a ver com amor. Por outro lado, uma pessoa amorosa que ama todas as outras pessoas, ama a si mesma. Ou seja, o amor alheio não pode ser separado do amor por si mesmo.

Sobre o amor erótico, diz Fromm, há muita ilusão. Muitas vezes, as pessoas cometem o erro de pensar que, porque elas são atraídas fisicamente por outra pessoa, também sentem amor por ela. Mas, se a relação é apenas física, então ela não satisfaz as necessidades de união, uma vez que se considera suprir apenas um desejo transitório, por meio de sexo. Na verdade, se for apenas uma relação física, pode fazer os praticantes se sentirem ainda mais distantes do que eram antes de se conhecerem, porque sua satisfação imediata, não duradoura, faz lembrar da solidão que precedeu a relação física. Se, por outro lado, essa relação é acompanhada por sentimento de amor fraternal, pode ser uma forma mais madura de amar, sendo um meio de atingir mais do que um prazer temporário. O amor, para ele, não é resultado da adequada satisfação sexual, mas a felicidade sexual é resultado do amor.

Segundo Fromm, o amor é uma prática de um poder humano que só pode ser exercido na liberdade, e nunca como resultado de uma compulsão.

“O amor é uma atividade, e não um afeto passivo; é um erguimento e não uma queda. De modo mais geral, o caráter ativo do amor pode ser descrito afirmando-se que o amor, antes de tudo, consiste em dar, e não em receber.”

Alguns consideram que dar é abandonar alguma coisa, ser privado de algo, sacrificar. Ou seja, sentem que dar é um empobrecimento. A maioria, talvez, se recusa a dar por causa desse pensamento enviesado. Para outros, no entanto, dar é a mais alta expressão de potência.

“Dar é mais alegre do que receber, não por ser uma privação, mas porque, no ato de dar, encontra-se a expressão de minha vitalidade […] Que dá uma pessoa a outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá de sua vida. Isso não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas que lhe dê daquilo que em si tem de vivo; dê-lhe de sua alegria, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza. Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa, valoriza-lhe o sentimento de vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade. Não dá a fim de receber, dá em si mesma […] No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu. Com relação especificamente ao amor, isso significa que o amor é uma força que produz amor.”

Dando prosseguimento aos raciocínios de Fromm, em A Arte de Amar, ele também discute, a partir de uma perspectiva bastante crítica, sobre a desintegração do amor na sociedade contemporânea. Segundo ele, as relações humanas estão cada vez mais alienadas, desprovidas de união.

“Nossa civilização oferece muitos paliativos que ajudam as pessoas a se tornarem conscientemente inconscientes dessa solidão: antes de tudo, a estrita rotina do trabalho mecânico, burocratizado, que as auxilia a permanecerem sem conhecimento de seus desejos humanos mais fundamentais, da aspiração de transcendência e unidade. Como a rotina, por si só, não o consegue, o homem supera seu desespero inconsciente através da rotina da diversão, do consumo passivo de sons e visões oferecidos pela indústria do divertimento; e, além disso, pela satisfação de comprar sempre coisas novas e de logo trocá-las por outras.”

O filósofo alega que a felicidade do homem, hoje em dia, está, primacialmente, em divertir-se. E divertir-se consiste na satisfação de consumir e obter. Na atual sociedade, tudo é consumido, engolido. E o amor também insere aí como relação de troca, com seus negociantes discutindo o preço, não a qualidade do produto.

Enfim, Fromm explora, neste livro, os equívocos e tabus culturais que nos impedem de dominar a habilidade humana suprema de amar, destacando sua teoria e prática através de uma visão lúcida, atemporal e dinâmica sobre as complexidades do amor.

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08/10/2016 Posted by | Amor, Arte, Livros, Poesia | Deixe um comentário

Oscar da boa forma

red dotUma mostra na França reúne as peças laureadas no Red Dot Award, o mais importante prêmio do setor.

Talvez não houvesse lugar mais apropriado par exibir os móveis e objetos premiados no Red Dot Award, o Oscar desse universo, do que a futurista Cité du Design.

Localizado a 50 minutos de carro de Lyon, na França, o complexo recebe de 15 de setembro a 8 de janeiro a mostra THE VALUE OF DESIGN.

A monumental exposição é composta por criações de mais de uma centena de designes de 30 países.

O coletivo francês chamado Fermob, por exemplo, que se notabilizou em criar móveis para ambientes externos, ou o estúdio espanhol Emiliana.

Além de móveis a mostra contempla carros e bikes, inovações médicas e toda sorte de gadgets.

Para quem gosta de inovações e formas instigantes é simplesmente imperdível.

http://www.citedudesign.com/fr/home/

 

 

 

03/09/2016 Posted by | Arte | Deixe um comentário

Depois de Dali e Miró, exposição de Picasso chega a São Paulo

deux_femmes_courant_sur_la_plage_la_course picassoA obra que criamos é uma maneira de escrever um diário”, dizia o pintor espanhol Pablo Picasso. Ao analisar em cronologia sua extensa e ampla obra é inevitável concordar com ele. É esta percepção, de certo modo, que a exposição “Picasso: mão erudita, olho selvagem” quer trazer aos brasileiros a partir deste domingo (22/05). Com 150 obras – sendo 90% delas inéditas no Brasil – a mostra apresentada no Instituto Tomie Ohtake com patrocínio da Arteris, permite analisar como o artista foi muito além das deformações e ondas do cubismo.

O movimento artístico é, de certa forma, a expressão mais famosa do artista espanhol – em todas as suas fases e nuances. Mas Picasso também viajou pela art nouveau, impressionismo (com a influência de Van Gogh), arte africana (apresentada a ele por Henri Matisse) e o surrealismo (cujos ideais ele partilhou, mesmo sem ter assinado o manifesto).

“Essa coleção mostra o que Picasso fez ao longo de sua vida e que constituiu-se numa espécie de museu pessoal”, diz a curadora francesa Emilia Philippot. Emilia é também curadora do Musée National Picasso-Paris, proprietário da coleção. As obras foram dispostas em ordem cronológica o que, segundo a curadora, permite analisar não somente as evoluções e rupturas de estilo, como também “o modo que Picasso passava de uma mídia a outra”. 

Entre gravuras, desenhos, esculturas, fotografias e grandes pinturas, a mostra começa com uma tela que Picasso fez em 1985, quando tinha apenas 14 anos. O Homem de Boné impressiona pela complexidade com que o artista espanhol já representa o corpo humano mesmo sendo tão jovem. No espaço ao lado, já aparece o Picasso formado na academia que começara a frequentar a vanguarda artística de Barcelona. Nesta época, a tonalidade azul é uma constante em suas obras, uma influência direta de Van Gogh e um reflexo do horário em que trabalhava, sempre durante as madrugadas, em um pequeno espaço que dividia com o poeta Max Jacob.

De sua evolução como artista, chega-se até a sala onde revelam-se as diversas fases do cubismo – movimento criado por Picasso em parceria com Georges Braque, a partir de 1908. Está ali a fixação do artista em retratar a rosácea do violão, instrumento que representou para ele a ligação entre pintura e música. O destaque da sala é a tela Homem do Violão. É possível notar nesta parte, bem como em outras da exposição, os diferentes desenhos que o artista fez antes de chegar ao quadro final. Detalhista, Picasso exercia seu talento em rabiscos, colagens e na ponta do pincel.

Outro destaque da mostra é a sala que traz o processo de criação de Guernica, talvez o seu trabalho mais famoso. Na sala escura, com projeções de fragmentos da obra, o público pode conferir fotografias de Picasso criando a tela de proporções gigantescas. As fotos foram registradas por sua mulher na época, a pintora e poeta Dora Maar. A tensão política da Segunda Guerra e da guerra civil espanhola também se refletem em outros desenhos expostos nesta área. Ali, embaixo das projeções, o recado de Picasso: “A pintura não é feita para decorar apartamentos”. 

É possível também conferir produções realizadas por Picasso com André Villers. Aos 23 anos, Villers conheceu o artista espanhol e recebeu seu “salvo-conduto” para documentar momentos de sua vida. É com Villers que Picasso mescla suas técnicas de colagem com as da fotografia. Villers morreu no dia 1 de abril de 2016, aos 86 anos. Segundo a curadora Emilia Philippot, há apenas poucos meses ele encontrou-se com a equipe do museu de Paris para contar, em um depoimento minucioso e intenso, os momentos que viveu próximo ao artista espanhol.

A exposição termina com um autorretrato, pintado no dia 14 de abril e 1972, um ano antes de sua morte. Com poucas cores, fundo branco e olhos escuros, Picasso se representa sorrindo, com um ar malicioso, segurando o pincel. “É, no fundo, um convite às gerações futuras, abrindo espaço para as próximas criações”, diz a curadora Emilia Philippot.

22/05/2016 Posted by | Arte | Deixe um comentário

Curtas que falam de paixão, enamoramento e amor

1- The Piano- uma das animações mais lindas da história

Emoção, sensibilidade e a prova de que a música nos conecta com algo além…

O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.
Henry Van Dyke

2- O que é o amor? – animação francesa com música de Édith Piaf

O que é o amor?

Adorável animação francesa.

Simples nos desenhos, dinâmica na sequência de imagens e excelente na escolha da música:

“A quoi ca sert l’amour”, de Édith Piaf.

3- A última dança

O velho fez um relógio em homenagem ao dia do seu casamento, onde ele e sua nova noiva dançaram em frente à Catedral. O boneco caixa de música achava que sonhava com a noiva até que, depois de ver o retrato, entendeu do que tudo se tratava e promoveu a “última dança.”

4- Haoma- prova de amor

Nem sempre correspondemos às expectativas sociais porém, em muito e muitos casos, estamos situados infinitamente além delas. Haoma é uma belíssima animação sobre a rejeição e a superação. É também uma mensagem para que observemos algo além das jóias aparentes.

5- Duas árvores se apaixonam, mas não podem se tocar…

6- Tocante animação usa balões como metáfora para relacionamentos

Inspirado pelo filme da Disney/Pixar “UP”, esta simples animação merece um pouco do seu tempo.

7- Animação “The Gift” explica em poucos minutos como funciona o amor

A animação “The Gift” (“O presente”, em tradução livre) conta a história de um casal como outro qualquer,entretanto, quando ele oferece a ela uma pequena esfera que tirou de seu peito, ela não consegue mais se separar desse grande presente… mesmo depois que ele se quebra.

O curta foi produzido por Cecilia Baeriswyl e dirigido por Julio Pot e foi selecionado em mais de 100 festivais internacionais ao redor do mundo.

O amor que recebemos tem um grande valor e precisa ser cuidado.

8- Entracte (2013), sobre o enamoramento

Animação francesa profundamente romântica criada pela Ecole Supérieure des Métiers Artistiques de Montpellier (ESMA).
O enredo é sobre um casal formado por um artista de rua e uma garçonete que, após darem conta da existência mútua, mergulham em um mundo de sonhos.
Esteticamente agradável e emocionalmente envolvente. Vale cada minuto!

9- Animação mostra como o arriscar-se da paixão pode levar a plenitude

“Tumbleweed Tango” é uma animação que, em cerca de 3 minutos, nos torna cúmplices da paixão entre dois balões que estavam perdidos em um deserto cheio de cactos. Presenciamos o entregar-se a um relacionamento que necessita de total confiança, adaptação e parceria. Ao som do tango e da dança mútua, um caminho é trilhado em busca da plenitude.

Josie Conti

 

 

 

 

 

 

12/04/2016 Posted by | Arte, Entretenimento | Deixe um comentário

Anúncio com conteúdo relevante e que pede desculpas às mulheres

Não é raro que reclamemos de comportamentos que, mesmo sem perceber, nós mesmos reproduzimos.

Alguns padrões têm forte peso cultural e são relacionados aos papeis de homem e mulher.

Para romper com esses esteriótipos, esse anúncio utiliza-se de um pai em profunda reflexão que finalmente percebe como sua filha está vivendo e qual o seu papel nisso tudo.

Mais que um anúncio, o vídeo é um pedido de desculpas que cala dentro da gente.

 

06/04/2016 Posted by | Arte, Entretenimento | Deixe um comentário

A beleza está nos olhos de quem vê

Por mais difícil que seja a realidade, as cores e a beleza sempre nos presenteiam com uma nova perspectiva.

Nesse vídeo, Lila mostra que é possível sobreviver à realidade preenchendo as lacunas com a beleza das cores e da magia dos sonhos.

“Temos a arte para não morrer da verdade” Friedrich Nietzche

29/02/2016 Posted by | Arte, Entretenimento, Videobook | Deixe um comentário

As Aves

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O artista Angelo Musco é o criador dessas imagens alucinantes. Criando imagens de penas que flutuam no ar, utilizando fotos de milhares de corpos nus, a série intitulada “As Aves”, é composto por nove imagens das quais simbolizam os nove meses de gestação humana.

Em cada imagem, o artista utiliza milhares de modelos voluntários que se cadastram no seu site

20/10/2015 Posted by | Arte | Deixe um comentário

Jean François Painchaud

Jean François Painchaud é um animador canadense que trabalha para empresas de desenhos animados, mas apavora em uns GIFs pornográficos fluorescentes com exageros psicodélicos.

Ele ficou mais famoso depois que foi banido da rede social Facebook por abusar de poses de homens e mulheres nus em situações explícitas que muitos dariam uma braço para protagonizar.

Quando o marginalizaram na rede social, suas contas de Facebook, Twitter e Tumbir acumularam 45 mil seguidores quase que da noite para o dia. A atitude foi praticamente um bumerangue que impulsionou a carreira do artista.

Painchaud estudou animação, arte conceitual e desenvolvimento de games, mas afirma que seu trabalho só mudou após o consumo de cogumelos mágicos. Isto foi algo que mudou a vida do artista porque ele usou os cogumelos para tratar depressão, ansiedade e outros problemas vindos do bullying escolar e relação com o pai.

Para o animador, sexo e psicodelia são formas maravilhosas de transcender o próprio ego e atingir um estado mais puro de existência.

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09/09/2015 Posted by | Arte, Sexo | Deixe um comentário

As mulheres através da história da Arte

31/08/2015 Posted by | Arte, Videobook | Deixe um comentário

Mulher Arte

Poezie zenske krasy 2 ao som de La Paloma por Archer Bilk.

10/07/2015 Posted by | Arte | Deixe um comentário