PrimeLife (Ano VI)

Viva Bem, Viva Mais, Viva com Estilo

Por que cada vez mais as garrafas de vinho têm tampas alternativas e não rolhas de cortiça natural?

Nove a cada dez garrafas no mundo têm uma tampa alternativa à cortiça natural. Este número descreve a experiência do consumidor e pode ser observado por você na sua casa. Não era assim há dez anos, não é?

Claro que essa única garrafa com a rolha natural não é, obviamente, uma garrafa accessível. Porque enquanto a cortiça é reservada para os preços altos. As tampas alternativas ocupam o terreno dos segmentos de valores médios e baixos.

Quais são as razões para essa mudança e quais vantagens ou desvantagens ela oferece para os consumidores de vinho?

Motivo histórico

Segundo o International Wine Challenge (IWC), o maior concurso de vinhos do mundo, entre 5 e 6% dos vinhos que participam da contenda apresentam algum tipo de defeito associado ao fechamento da garrafa. Sabor de cortiça, oxidação ou redução são os três mais comuns, sendo o primeiro mais conhecido pelo consumidor.

Denominado TCA, trata-se de um aroma desagradável, que lembra um porão úmido ou clausura. E a responsável por isso é a rolha. Por trás desse desagradável sabor, está um grupo de bactérias que atacou o Alcornoque (árvore que produz a cortiça) antes de se produzir a rolha e que, em contato com o vinho, transforma-o em algo que não dá para beber.

Segundo os dados do IWC, do total de vinte mil amostras que são catadas por ano, o TCA é o responsável pelo menos por 2,5% dos defeitos, uma cifra que se mantém há muito tempo. Para resolver esse problema, na década de 1980 algumas indústrias vinculadas à elaboração de plásticos e borrachas apresentaram uma primeira solução alternativa: tampas sintéticas. Elas oferecem um fechamento seguro e inerte ao vinho. Paralelamente, as tampas Stelvin chamadas de tampa de rosca, também foram apresentadas como solução. Mas na corrida para se estabelecer a futura tampa para as garrafas de vinho, as alternativas atravessaram experiências boas e más.

Entre as más, a dificuldade de utilizar o saca-rolhas em alguns tipos de rolha sintética ou a dureza da extração. Já a tampa de rosca não conseguiu cativar o consumidor, que ainda hoje, segundo estudos, as considera desprestigiantes. Entre as experiências boas, por outro lado, é que se eliminaram os riscos de contaminação por TCA. Mas há outros defeitos, como os que estão associados à óxido-redução do vinho, que, em média, representam a metade dos defeitos que se encontram, também segundo o IWC. Por esse grupo de defeitos, são responsáveis precisamente as tampas alternativas. Explicamos:

O futuro das tampas técnicas

Acontece que, uma vez que o vinho está na garrafa, as poucas moléculas tampa de oxigênio que ficaram presas no interior ou que entram através da rolha natural, são a chave para sua evolução dentro do recipiente .Esta questão foi reconhecida recentemente, na mudança de milênio, quando as tampas alternativas foram responsáveis, em certa medida, pelo defeito de redução. Em outras palavras: por falta de oxigenação, em particular nos vinhos tintos, sentia-se um odor de ovo podre.

A solução veio de mãos dadas com a ciência. Empresas como Nomacorc e Diam, começaram a estudar a forma em que o oxigênio penetrava na garrafa, uma vez fechada a mesma. E descobriram que a rolha natural oferecia uma filtração na ordem de uma parte por milhão, que era a chave para que o vinho não se reduzisse e apresentasse cheiro de ovo podre.

O problema é que a rolha natural não garante uniformidade dessa dosagem entre a mesma partida de cortiça. E assim, é a responsável pela oxidação, quando dosificada em excesso. Trata-se do defeito inverso da redução, que é a cor de telha ou marrom, sem aromas atrativos e caráter diluído.

Com isso, a Nomacorc, empresa de origem belga, com fábricas nos Estados Unidos e agora também na Argentina, começou a trabalhar na hipótese de obter uma tampa de goma expandida que, além de evitar o TCA, permitisse dosificar o oxigênio previsivelmente.

Na década de 2000 criaram uma gama de tampas chamadas Select Series, que oferecem diferentes níveis de oxigenação: um vinho tinto, por exemplo, pode resultar em frutado ou reduzido, conforme se utiliza uma ou outra tampa no mesmo prazo de tempo, enquanto que outro reduzido pode ficar frutado assim que for cumprido o processo de oxigenação programado.

Desta forma, a tampa também é uma ferramenta enológica. Para que um vinho chegue ao ponto ótimo de consumo, o enólogo sabe que pode engarrafá-lo com uma tampa que, aos dois meses, permita ao vinho uma evolução plena. Ou propositalmente o contrário. Qualquer que seja o caso, uma coisa é certa: com a nova geração de tampas Diam ou Nomacorc, os defeitos na hora de se tomar um bom vinho são coisa do passado.

Por isso, cada vez mais, os vinhos de alta rotatividade. Os cotidianos e os de gama média são fechados com tampas técnicas, como são denominadas agora. São tampas que oferecem um segredo invisível para o consumidor. E que garantem, na hora de pagar uma garrafa, que você vai beber aquilo que comprou, e não uma surpresa

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15/04/2017 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário

Conheça a bodega MontGras e seus vinhos de alta qualidade

Em 1993, os irmãos Hernán e Eduardo Gras, junto com o sócio Cristián Hartwig, uniram-se para dar vida à MontGras.

A inspiração de Hernán, com uma longa trajetória vitivinícola no Canadá, junto com a visão empresarial de Eduardo e Cristián, criaram a combinação perfeita, que faz da MontGras um dos grupos mais importantes do Chile, com presença em algumas das regiões vitivinícolas mais importantes do país, marcada por uma incessante busca para elaborar vinhos da mais alta qualidade.

Para isso localizaram seus vinhedos nos principais vales vitivinícolas do Chile, como o Colchagua, Maipo e Leyda.

Colchagua

Os primeros vinhedos MontGras foram plantados em 1993 em San José. Começando com 50 hectares e hoje, depois da aquisição de terras adicionais com características especiais, soma-se um total de mais de 900 hectares, plantados principalmente com Cabernet Sauvignon, Carmenère, Merlot, Syrah, Malbec, Zinfandel, Chardonnay, Viognier e Sauvignon Blanc.

No ano de 2007, iniciaram uma plantação em Pumanque. Situada a somente 65 quilômetros do mar, recebendo toda a sua influência fria diretamente. Seu solo pobre e pouco profundo de granito permite ter plantas equilibradas e de baixo vigor. Nesta zona, o Merlot e as cepas mediterrâneas como a Garnacha e a Tempranillo desenvolvem-se particularmente bem.

Maipo

Os vinhedos de Maipo, Vale da Cuenca de Santiago, são famosos por seus vinhos tintos bem equilibrados, e se estendem para o Leste em direção à Cordilheira dos Andes, e parao Oeste em direção à costa, formando três setores bem diferenciados. As principais cepas plantadas são Cabernet Sauvignon, com mais de 70% dos hectares, Merlot, Carmenère, Syrah, Cabernet Franc e Malbec.

Leyda

Em Leyda, a região vitivinícola mais nova e com um clima radicalmente frio, começa-se a elaborar grandes vinhos brancos e tintos de clima frio do país. Nesta região, os vinhedos parecem estar imunes ao clima frio do Oceano Pacífico. Aproximando-se cada vez mais em direção à costa. Com os brancos finos de acidez pungente e grande frescor mineral, e com os tintos, que ressaltam especiarias que chamam cada vez mais a atenção.

São vinhos com alma. Assim é a MontGras e assim forjou-se desde o princípio, com o objetivo de elaborar vinhos para o mundo, a partir dos melhores “terroirs” do Chile. E assim são os dois vinhos que apresentamos nesta Seleção Mensal. Um varietal da uva chilena por excelência, a Carmenère, e outro multivarietal, de Cabernet Sauvignon, Garnacha e Syrah, pouco habitual e surpreendente pela sua deliciosa fruta.

Vinhos tintos saborosos, suaves e sedutores. Criados durante 6 meses em barris de carvalho francês e americano. Para dar a eles mais complexidade e estrutura, e definir mais ainda o estilo particular da bodega MontGras.

15/04/2017 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário

Château d’Yquem Sauternes 2002

A stunner, sporting tropical mango and papaya notes that glide along beautifully, while heather honey, pineapple chutney and toasted coconut flavors fill in through the finish. Delivers an amazing mouthfeel that is both creamy and intense, with a pretty inner floral brightness that contrasts with the fruit.

29/03/2017 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário

K Syrah Walla Walla Valley River Rock 2013

k-syrahAmplo e de textura aberta, oferece sabores suculentos, pêra-acentuada amora, alcaçuz e sabores de chá preto, terminando harmoniosamente com foco específico. Isto tem presença e profundidade sem grande peso. Melhor de 2017 até 2023. 94 pontos.

Fonte: Wine Spectator

04/01/2017 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário

5 coisas que você precisa saber sobre vinho

os sabores da uvaVocê não precisa ser especialista para apreciar um bom vinho, mas essas dicas vão melhorar sua experiência. Saiba aqui os cinco pontos básicos

Não confunda mais: enólogo, enófilo, sommelier?

Vamos esclarecer a cadeia de profissionais do vinho.

Viticultor é quem planta e cuida do vinhedo. Muitas vezes o viticultor é o proprietário da vinícola e também enólogo. Este ser duplo seria o vitivinicultor.

Enólogo é o profissional responsável por produzir o vinho na bodega. Recebe as uvas e toma as decisões técnicas cabíveis, tempos de fermentação, armazenamento ou não em barricas, etc. Este cargo exige formação complexa, que inclui estudo de agronomia e química. Existem cursos especializados (técnico e superior), mas nem todo enólogo é formado na escola.

Sommelier é o termo francês para denominar o responsável pelo serviço do vinho. Esse profissional cuida da seleção à compra dos vinhos de uma adega, seja de restaurante, hotel ou de um particular, e faz o serviço à mesa, por meio do qual ajuda o cliente a escolher o vinho apropriado ao paladar e ao bolso. Tudo pode ser feito com salamaleque ou não, a depender da ocasião.

Enófilo é o apreciador do vinho. Um amador que muitas vezes se interessa pelo assunto a ponto de tornar-se um especialista nele. Escreve livros, dá palestras, frequenta confrarias, degustações e feiras. Ele cumpre a função mais divertida da cadeia: ele bebe. Em geral, de maneira moderada e com um grau de apreciação mais elevado do que a média, graças a seus conhecimentos adquiridos e à prática.

O único problema do enófilo é que ele corre o risco de se transformar no enochato.

Enochato é o mala que fala mais do que bebe, pontifica mais do que sabe e está em vias de se tornar um cervejochato (ou zitochato, para os eruditos), porque as cervejas especiais entraram na moda.

Café, morango, mel, asfalto…Tá no meu vinho?!

Fique tranquilo. Não colocaram frutas vermelhas, tabaco, asfalto, mel ou café no seu vinho. Quando alguém, seja um crítico ou um enochato, usa algum deste chamados “descritores aromáticos”, muitas vezes considerados esquisitos, está citando aromas que podem ser encontrados nos vinhos porque estes compartilham moléculas com várias outras substâncias presentes na natureza.

Pense assim: a vitamina C existe em várias frutas e não só na laranja, certo?

Muitas outras moléculas presentes no vinho também podem estar no café, no chocolate, na cereja, etc.

É tudo baseado em cadeias de carbono que se repetem e se transformam. Um assunto árido para quem fugiu das aulas de química orgânica da escola.

Recomendo o livro Taste Bud and Molecules, de François Chartier, que trata deste assunto de maneira clara.

Equilibrado

É comum designar um vinho como “equilibrado”.

O vinho nada mais é que suco de uva fermentado, ou seja, que sofreu ataque de microorganismos (as leveduras) e com isso transformou parte do seu açúcar em álcool. Mas o suco resultante ainda possui água, ácidos e outros componentes, entre os quais se destacam os taninos.

O tanino é o componente adstringente, que “amarra a língua”, mais comum nos tintos.

Ao colocarmos o vinho na boca, sentimos estes sabores todos (álcool, açúcar e taninos).

Se em uma degustação um deles se destaca demais, dizemos que o vinho está desequilibrado.

Pode estar muito alcoólico, muito tânico ou muito ácido, por exemplo.

Estes excessos são sempre o motivo do desagrado ao paladar.

Quando há uma integração equilibrada entre acidez, álcool, taninos e açúcar, o vinho tende a ser percebido como mais agradável.

As exceções seriam os vinhos de sobremesa, nos quais se espera predominância de açúcar.

Vinhos leves e frescos também puxam mais para a acidez.

Brancos, tintos e rosados

O líquido do vinho se origina da polpa da uva.

A cor, assim como outros inúmeros aromas e sabores, vem da casca. Ou seja, em geral, uva branca faz vinho branco e uva tinta faz vinho tinto. Não dá para produzir um vinho tinto somente com uva branca. Parece óbvio, mas, tradicionalmente, em algumas regiões da França e da Itália, usa-se uma pequena quantidade de uva branca na produção de vinho tinto.

Ironicamente, alguns enólogos afirmam que a uva branca ajuda a fixar a cor da tinta!

Um vinho branco, pelo contrário, pode ser feito com uva tinta. Não é comum, mas há um interessante merlot vinificado em branco produzido pela Dunamis na Campanha Gaúcha, por exemplo.

Para isso ocorrer, basta que a fermentação não seja feita em contato com as cascas, que liberam os pigmentos. Nos cortes mais tradicionais de Champagne, entram, além da chardonnay (uma uva branca), a pinot meunier e a pinot noir, ambas tintas.

O vinho rosado (ou rosé) pode ser feito basicamente de duas maneiras. Pela cuidadosa mistura de um vinho tinto e um branco ou pelo método de sangria, no qual se retira o mosto do contato com as cascas tintas após leve maceração, antes de liberar muito pigmento. A partir daí, vinifica-se como um branco.

Existem aproximadamente 9 mil castas de uva entre as vitis viniferas, apropriadas à produção de vinho, e as de mesa. Mas pode-se dizer que das quase 2 mil cepas adotadas no mundo vitivinícola, contam-se nos dedos as variedades utilizadas na enorme maioria dos vinhos produzidos hoje no mundo.

Guardar ou beber?

A enorme maioria dos vinhos produzidos atualmente pode e deve ser bebida em um prazo de até três anos.

A enologia moderna evoluiu de modo a permitir que vinhos jovens não sejam mais “imbebíveis”.

Antigamente guardavam-se os vinhos jovens que tinham muito tanino e “amarravam” a boca com sua adstringência.

Os Bordeaux levavam 20 anos para “amaciar” os taninos. Técnicas como microoxigenação e uso de barricas, entre outras, aceleram este processo. Mas isto não quer dizer que alguns não melhorem muito se você aguardar mais uns anos.

Algumas pessoas preferem vinhos mais evoluídos. Mesmo aqueles de que não se espera muito surpreendem. Para evoluir bem, um vinho precisa ter uma quantidade interessante de um dos seguintes componentes conservantes: álcool, açúcar, taninos ou acidez (exemplo: o Vinho do Porto, que tem mais açúcar e álcool do que um vinho tranquilo).

Um vinho seco, seja branco ou tinto, jovem, leve, macio, sem muita acidez ou tanino, não vai ter estrutura para evoluir com os anos.

Por outro lado um vinho jovem com muito tanino, álcool e acidez não é necessariamente desequilibrado. É muito tudo! É um exagero ao paladar.

Sabe aquela pessoa jovem, saudável, mas meio desmiolada, sem estilo ou classe, tímida? Então. Você a reencontra 20 anos depois e ela está mudada, elegante, comunicativa. Isto porque tinha estrutura para evoluir. Mas, claro, depende daquilo por que passou e daquilo que aprendeu.

No caso do vinho, depende muito do armazenamento e da conservação. Importante saber que na maioria das vezes os brancos secos são menos longevos do que os tintos.

Se o vinho estiver bem armazenado, protegido da luz, do excesso de calor e das mudanças bruscas de temperatura, abra quando der vontade.

Dica: para saber se o precioso líquido passou do ponto, o principal sinal é a quantidade de líquido no recipiente. Ponha a garrafa contra a luz e observe o nível do vinho. Se estiver abaixo do “ombro” da garrafa, houve vazamento ou evaporação.

Este contato com o ar é fatal. Leva à oxidação e o vinho perde o brilho, o vigor. Serve para cozinhar e olhe lá.

Mas prove antes para ter certeza.

Santé

02/01/2017 Posted by | Vinhos | 1 Comentário

O Vinho e a Madeira

vinho e a madeiraO uso de aço inoxidável ou madeira para fermentação e maturação dos vinhos é uma escolha que depende do custo e da finalidade.

Os dois materiais têm resultados opostos no produto final. Enquanto que o aço é mais durável, fácil de limpar, permite controle da temperatura e ter a propriedade de produzir vinhos com maior frescor, a madeira tem vantagens impossíveis de se obter com o aço.

O carvalho é a madeira mais utilizada nos processos de vinificação, principalmente no envelhecimento.

Outras espécies não são muito apropriadas, seja pela porosidade excessiva ou por conter substâncias aromáticas desagradáveis que seriam transmitidas ao vinho.

A lenta evaporação causada pela porosidade do carvalho concentra os sabores do vinho e o torna mais complexo pela incorporação de aromas bem característicos de baunilha. Além de todas essas vantagens ainda participa com a doação de taninos para vinhos que os têm insuficientes.

O carvalho francês é o mais desejável de todos.

A maior parte é proveniente de uma ou mais florestas que foram plantadas na época de Napoleão para construir navios.

As cinco principais origens dessa madeira para fabricar barricas de vinho são Allier, Limousin, Nevers, Trançais e Vosges.

Cada floresta produz madeiras que se diferenciam pela compactação dos grãos e pelos sabores fornecidos ao vinho.

Muitas áreas dos Estados Unidos também produzem carvalho de alta qualidade, principalmente em Arkansas e Tennessee.

Além de mais barato – quase metade dos franceses – tem a preferência para alguns tintos devido à sua estrutura, sabores característicos e ainda capazes de alcançar resultados similares. Atualmente encontram-se barricas de carvalho americano em vários países produtores, inclusive europeus.

Há grande variedade de opções de tamanhos e formatos das barricas, porém a mais tradicional é a bordalesa com capacidade para 225 litros.

Uma das etapas mais importantes durante sua construção é a chamada tosta.

A barrica parcialmente montada é colocada sobre uma pequena fogueira de lenha para que a parte interna seja carbonizada ou “tostada”. O grau da tosta tem grande efeito no vinho a ser envelhecido.

Enólogos podem normalmente encomendar barricas com tosta leve, média ou pesada baseados na variedade da uva e no estilo do vinho a ser produzido. Considerando que barricas novas contribuem com mais sabores para o vinho que outras já usadas, a porcentagem de barricas novas utilizadas numa vinícola influi muito na qualidade do vinho. Depois de cinco anos de uso elas deixam de ter qualquer participação no gosto do vinho.

Várias técnicas têm sido desenvolvidas para estender o uso das barricas ou ganhar os benefícios do envelhecimento em carvalho sem o custo dos métodos tradicionais.

Um deles envolve a colocação de lascas de carvalho nos tanques. Chamados de chips, eles são acrescentados em vários estágios do processo de vinificação, seja durante a fermentação ou mergulhados nos tanques depois de colocados em grandes “sacos de batata”.

Os chips são vendidos comercialmente e encontrados em grande variedade de tipos, tamanhos, origens, graus de tosta, etc.

Todos esses fatores influem no caráter do vinho. Contudo, nenhumas dessas técnicas baratas são capazes de substituir os resultados do envelhecimento nas barricas tradicionais que se baseiam na micro oxigenação.

23/08/2016 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário

Coisas que você precisa saber sobre vinho

vinhos 17Você não precisa ser especialista para apreciar um bom vinho, mas essas dicas vão melhorar sua experiência. Saiba aqui os cinco pontos básicos

  1.       1. Não confunda mais: enólogo, enófilo, sommelier?

Vamos esclarecer a cadeia de profissionais do vinho.

Viticultor é quem planta e cuida do vinhedo. Muitas vezes o viticultor é o proprietário da vinícola e também enólogo. Este ser duplo seria o vitivinicultor.

Enólogo é o profissional responsável por produzir o vinho na bodega. Recebe as uvas e toma as decisões técnicas cabíveis, tempos de fermentação, armazenamento ou não em barricas, etc. Este cargo exige formação complexa, que inclui estudo de agronomia e química. Existem cursos especializados (técnico e superior), mas nem todo enólogo é formado na escola.

Sommelier é o termo francês para denominar o responsável pelo serviço do vinho. Esse profissional cuida da seleção à compra dos vinhos de uma adega, seja de restaurante, hotel ou de um particular, e faz o serviço à mesa, por meio do qual ajuda o cliente a escolher o vinho apropriado ao paladar e ao bolso. Tudo pode ser feito com salamaleque ou não, a depender da ocasião.

Enófilo é o apreciador do vinho. Um amador que muitas vezes se interessa pelo assunto a ponto de tornar-se um especialista nele. Escreve livros, dá palestras, frequenta confrarias, degustações e feiras. Ele cumpre a função mais divertida da cadeia: ele bebe. Em geral, de maneira moderada e com um grau de apreciação mais elevado do que a média, graças a seus conhecimentos adquiridos e à prática.

O único problema do enófilo é que ele corre o risco de se transformar no enochato.

Enochato é o mala que fala mais do que bebe, pontifica mais do que sabe e está em vias de se tornar um cervejochato (ou zitochato, para os eruditos), porque as cervejas especiais entraram na moda.

  1. Café, morango, mel, asfalto…Tá no meu vinho?!

Fique tranquilo. Não colocaram frutas vermelhas, tabaco, asfalto, mel ou café no seu vinho. Quando alguém, seja um crítico ou um enochato, usa algum deste chamados “descritores aromáticos”, muitas vezes considerados esquisitos, está citando aromas que podem ser encontrados nos vinhos porque estes compartilham moléculas com várias outras substâncias presentes na natureza.

Pense assim: a vitamina C existe em várias frutas e não só na laranja, certo?

Muitas outras moléculas presentes no vinho também podem estar no café, no chocolate, na cereja, etc.

É tudo baseado em cadeias de carbono que se repetem e se transformam. Um assunto árido para quem fugiu das aulas de química orgânica da escola.

Recomendo o livro” Taste Bud and Molecules”, de François Chartier, que trata deste assunto de maneira clara.

      3. Equilibrado

É comum designar um vinho como “equilibrado”.

O vinho nada mais é que suco de uva fermentado, ou seja, que sofreu ataque de microorganismos (as leveduras) e com isso transformou parte do seu açúcar em álcool. Mas o suco resultante ainda possui água, ácidos e outros componentes, entre os quais se destacam os taninos.

O tanino é o componente adstringente, que “amarra a língua”, mais comum nos tintos.

Ao colocarmos o vinho na boca, sentimos estes sabores todos (álcool, açúcar e taninos).

Se em uma degustação um deles se destaca demais, dizemos que o vinho está desequilibrado.

Pode estar muito alcoólico, muito tânico ou muito ácido, por exemplo.

Estes excessos são sempre o motivo do desagrado ao paladar.

Quando há uma integração equilibrada entre acidez, álcool, taninos e açúcar, o vinho tende a ser percebido como mais agradável.

As exceções seriam os vinhos de sobremesa, nos quais se espera predominância de açúcar.

Vinhos leves e frescos também puxam mais para a acidez.

  1. Brancos, tintos e rosados

O líquido do vinho se origina da polpa da uva.

A cor, assim como outros inúmeros aromas e sabores, vem da casca. Ou seja, em geral, uva branca faz vinho branco e uva tinta faz vinho tinto. Não dá para produzir um vinho tinto somente com uva branca. Parece óbvio, mas, tradicionalmente, em algumas regiões da França e da Itália, usa-se uma pequena quantidade de uva branca na produção de vinho tinto.

Ironicamente, alguns enólogos afirmam que a uva branca ajuda a fixar a cor da tinta!

Um vinho branco, pelo contrário, pode ser feito com uva tinta. Não é comum, mas há um interessante merlot vinificado em branco produzido pela Dunamis na Campanha Gaúcha, por exemplo.

Para isso ocorrer, basta que a fermentação não seja feita em contato com as cascas, que liberam os pigmentos. Nos cortes mais tradicionais de Champagne, entram, além da chardonnay (uma uva branca), a pinot meunier e a pinot noir, ambas tintas.

O vinho rosado (ou rosé) pode ser feito basicamente de duas maneiras. Pela cuidadosa mistura de um vinho tinto e um branco ou pelo método de sangria, no qual se retira o mosto do contato com as cascas tintas após leve maceração, antes de liberar muito pigmento. A partir daí, vinifica-se como um branco.

Existem aproximadamente 9 mil castas de uva entre as vitis viniferas, apropriadas à produção de vinho, e as de mesa. Mas pode-se dizer que das quase 2 mil cepas adotadas no mundo vitivinícola, contam-se nos dedos as variedades utilizadas na enorme maioria dos vinhos produzidos hoje no mundo.

  1. Guardar ou beber?

A enorme maioria dos vinhos produzidos atualmente pode e deve ser bebida em um prazo de até três anos.

A enologia moderna evoluiu de modo a permitir que vinhos jovens não sejam mais “imbebíveis”.

Antigamente guardavam-se os vinhos jovens que tinham muito tanino e “amarravam” a boca com sua adstrigência.

Os Bordeaux levavam 20 anos para “amaciar” os taninos. Técnicas como microoxigenação e uso de barricas, entre outras, aceleram este processo. Mas isto não quer dizer que alguns não melhorem muito se você aguardar mais uns anos.

Algumas pessoas preferem vinhos mais evoluídos. Mesmo aqueles de que não se espera muito surpreendem. Para evoluir bem, um vinho precisa ter uma quantidade interessante de um dos seguintes componentes conservantes: álcool, açúcar, taninos ou acidez (exemplo: o Vinho do Porto, que tem mais açúcar e álcool do que um vinho tranquilo).

Um vinho seco, seja branco ou tinto, jovem, leve, macio, sem muita acidez ou tanino, não vai ter estrutura para evoluir com os anos.

Por outro lado um vinho jovem com muito tanino, álcool e acidez não é necessariamente desequilibrado. É muito tudo! É um exagero ao paladar.

Sabe aquela pessoa jovem, saudável, mas meio desmiolada, sem estilo ou classe, tímida? Então. Você a reencontra 20 anos depois e ela está mudada, elegante, comunicativa. Isto porque tinha estrutura para evoluir. Mas, claro, depende daquilo por que passou e daquilo que aprendeu.

No caso do vinho, depende muito do armazenamento e da conservação. Importante saber que na maioria das vezes os brancos secos são menos longevos do que os tintos.

Se o vinho estiver bem armazenado, protegido da luz, do excesso de calor e das mudanças bruscas de temperatura, abra quando der vontade.

Dica: para saber se o precioso líquido passou do ponto, o principal sinal é a quantidade de líquido no recipiente. Ponha a garrafa contra a luz e observe o nível do vinho. Se estiver abaixo do “ombro” da garrafa, houve vazamento ou evaporação.

Este contato com o ar é fatal. Leva à oxidação e o vinho perde o brilho, o vigor. Serve para cozinhar e olhe lá.

Mas prove antes para ter certeza.

Santé

15/08/2016 Posted by | Vinhos | 1 Comentário

A uva e os seus sabores

os sabores da uvaUma uva pode ter mil sabores. Ela muda de terroir para terroir, às vezes dentro do próprio país. O mundo dos vinhos é tão vasto que é normal se sentir perdido. Como saber qual é sua preferida?

É muito difícil dizer os sabores de uma uva sem pensar nas variáveis. Contudo, alguns são mais característicos de uma ou outra cepa. Conheça as sensações mais básicas que as principais uvas podem passar!

Uvas tintas

Cabernet Sauvignon: considerada a “rainha das uvas”, se adapta bem em vários terroirs e fica ótima com outras uvas. Seus aromas e sabores são de groselha e cassis (a groselha negra), hortelã, pimentão verde, violetas e, se passar por carvalho, madeira de cedro e baunilha. Quando envelhece, adquire notas de chocolate em pó, tabaco e frutas em compota.

Carménère: extremamente terrosa e vegetal, esta cepa sempre deixa seu toque expressivo de pimentões, cogumelos e terra. Algumas vezes, vai mais para o lado do enxofre, outras procura “picância” das especiarias e frutas vermelhas.

Malbec: de sabor maduro de frutas secas e especiarias, deixa um leve adocicado no paladar por conta dos taninos redondos e elevada graduação alcoólica que alcança. Também apresenta aromas de ameixa, geleia de cereja e notas florais.

Merlot: a “outra tinta de Bordeaux”, como era conhecida, é famosa pela maciez aveludada. Justamente por isso, às vezes aromas e sabores acabam passando batido. Mas numa taça podemos encontrar ameixas, jabuticabas, especiarias, ervas e até chocolate ao leite!

Nebbiolo: complexa e elegante, talvez seja a melhor definição para a cepa que dá origem aos vinhos “Barolo” e “Barbaresco”. Leves, mas ainda sim encorpados e com taninos presentes, induzem aromas de couro, especiarias, rosas, frutas silvestres e caixa de charuto.

Pinot Noir: delicada e elegante, é bem leve e exibe aromas de cereja, framboesa e morangos em um fundo de terra úmida, sempre com muita acidez. Seus vinhos podem também trazer notas de couro e especiarias (quando maduros) e nuances de tosta (se forem envelhecidos em carvalho).

Sangiovese: com boa acidez e taninos redondos, a principal uva da Itália vê suas características mudarem conforme a região ou tipo de vinho. De modo geral, nota-se a presença de violetas, tabaco, ervas, folhas secas de chá e, raras vezes, tomate.

Syrah: só de ouvir o nome da uva já dá para sentir as especiarias entrando pelo nariz e boca. Imagine desarrolhar uma garrafa, então?! Além disso, frutas escuras, couro, notas tostadas e até defumadas – sempre em presença de taninos e alto teor alcoólico!

Tempranillo: com aromas entre a Cabernet e a Pinot Noir, a casta espanhola exala frutas vermelhas e pretas (muitas vezes vivas e adocicadas como em uma geleia), ervas, especiarias e às vezes até terra molhada ou madeira. Acidez e álcool bem equilibrados não costumam faltar! Ah, isso sem esquecer seus fortes taninos que secam a boca.

Uvas brancas

Chardonnay: inicialmente pouco aromática, é uma das castas que mais absorvem características do solo e da vinificação. Podemos citar frutas cítricas, como maçã verde, limão e tangerina, e as mais tropicais, como abacaxi, maracujá, pêssego e damasco. Manteiga e coco sempre aparecem quando envelhecido em carvalho.

Chenin Blanc: super floral, a variedade reúne, como num buquê, acácias, madressilvas, capim-limão e um pouquinho de grama e palha. Maçã verde, melão e grapefruit (toranja) participam para dar aquele amargorzinho. Os mais completos ainda finalizam com amêndoas!

Gewürztraminer: o nome é difícil, mas os sabores e aromas são deliciosamente fáceis. Lichias e pétalas de rosas abrem caminho, trazendo acácias, jasmins, mel, cravo e baunilha. Outra característica forte é a pimenta-preta bem presente (“gewürz”, em alemão, quer dizer “especiarias”).

Moscatel: docinha, literalmente, a casta empresta para o vinho um toque floral, melão, uvas passas e pêssego. Sua acidez combina perfeitamente à baixa graduação alcoólica e alto teor de açúcar.

Riesling: tem aromas e sabores únicos, revelados em vinhos secos ou de sobremesa. Pode trazer notas de petróleo, borracha, pêssego, damasco, flores amarelas e pétalas de rosa. À boca, grama cortada, mel, manteiga, petroláceos, minerais, tangerina, melão e flores.

Sauvignon Blanc: sua característica é o frescor. Tem uma boa acidez e revela frutas tropicais, como maracujá e abacaxi. Também pode trazer notas de melão, pera e, com mais frequência, grama molhada e muitos herbáceos. À medida que envelhece, ela desenvolve aromas de pimentas verde e vermelha.

E aí, se identificou com alguma? Tem alguma uva que gostaria de conhecer melhor?

02/08/2016 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário

França inaugura o primeiro parque temático do vinho

parque vinhoFoi aberto ao público no início deste mês o primeiro parque temático do vinho em território francês. Há quem arrisque dizer que este é o primeiro parque temático sobre a bebida no mundo. O espaço possui uma arquitetura diferenciada e, mesmo de longe, já chama atenção dos que visitam a cidade de Bordeaux.

Diferentemente de outros parque temáticos, este empreendimento não tem atrações de aventura que deixam os visitantes de cabelo em pé. Chamado de Bordeaux La Cité du Vin (Cidade do Vinho, na tradução literal), o parque tem como objetivo promover degustações de vinhos, exibições com experts da bebida, workshops sobre o vinho e, claro, os tradicionais tours que muitas fábricas de bebidas alcoólicas promovem.

Uma das atrações do parque é uma exibição em 3D que tem como plano de fundo um navio explorador. Já no décimo andar, o parque conta com um restaurante com vista 360º graus sobre a região de Bordeaux.

Os ingressos podem ser comprados on-line e custam 20 euros (cerca de R$ 80) e dão direito a uma taça de vinho. Mas por 48 euros (R$ 192) é possível adquirir uma entrada anual que dá direito a cinco taças de vinho.

07/06/2016 Posted by | On The Road, Vinhos | Deixe um comentário

O vinho do dia seguinte

Vinhos 16São poucas as coisas que podem arruinar sua noite mais do que uma dor de cabeça causada pelo vinho. Quem já ultrapassou os limites e “provou” uma ressaca de vinho deve saber como um pequeno incômodo que começa na parte de trás do pescoço logo consegue invadir todo o corpo. E continua na manhã seguinte…

A pergunta é: existe alguma maneira de evitar a ressaca sem abrir mão dessa bebida tão companheira?

A resposta, para alegria geral, é sim! É possível, sim, apreciar seus vinhos sem ir para a cama com a consciência pesada.

Mas como?

Alguns tipos de vinho são menos propensos a te deixar mal. Mais leves (e mais em conta), são o que chamamos de vinhos do dia a dia, daqueles que você pode beber sem culpa nos jantares durante a semana ou até para acompanhar o almoço.

Antes de tudo, vale uma dica: a maior causa da ressaca é a desidratação, então sempre que puder, intercale as taças de vinho com um copo de água, o que também vai agilizar sua filtração. O conselho das avós também é válido: nunca beba de barriga vazia.

Depois disso, algo óbvio a se pensar é a graduação alcoólica. A porcentagem está sempre ali, estampada no rótulo do vinho, e quanto menor for, menos “machuca”. A média é de 13% – qualquer vinho abaixo disso, branco ou tinto, é considerado “leve”.

O mais natural possível
Uma regra básica: quanto menos manipulado for o vinho, e quanto menos aditivos ele levar, melhor será para uma boa noite de sono. Isso quer dizer que os vinhos “suaves”, doces e com açúcar, são ótimos para te derrubar. Já os vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais, na contramão, são bons aliados.

Isso acontece porque alguns elementos químicos demoram mais para serem metabolizados no organismo, o que gera azias, mal-estar, tonturas e enxaquecas. É o caso do etanol, presente em qualquer bebida alcoólica fermentada. Em grande quantidade, exala no vinho um aroma muito forte de maçã verde azeda, considerado defeito (principalmente em tintos).

Vinhos que não abalam
Em geral, vinhos brancos pesam menos que os tintos. E espumantes, menos ainda. Nesse caminho, os vinhos são mais frutados, frescos e florais. São geralmente mais claros e transparentes. Um bom exemplo são os vinhos feitos em tanques de inox em vez dos tradicionais barris de carvalho.

Vinhos com taninos mais presentes, aqueles que secam a boca e deixam uma sensação de adstringência, também são opções interessantes. Além de equilibrarem o álcool, nos fazem involuntariamente pedir por água. Algumas uvas conhecidas por seus taninos fortes são a famosa Cabernet Sauvignon, sua conterrânea francesa Mourvedre, a saudável Tannat e, claro, a espanholíssima Tempranillo.

Mas fique esperto: qualquer exagero tem más consequências. Não é porque um vinho é mais “leve” que ele pode ser bebido como se não houvesse amanhã. Afinal, um bom vinho não precisa de tantas taças para mostrar todo o seu caráter.

à la Santé de mes amis

 

17/05/2016 Posted by | Vinhos | Deixe um comentário